A racionalidade do armamento civil e como ela pode ajudar na obtenção da paz!

O armamento civil para um Estado em crise como o nosso, não só seria apelar ao direito de legítima defesa como nos garantem os princípios morais, mas também é uma questão racional e matemática para o equilíbrio de forças numa sociedade conflagrada pelo crime diariamente de modo sanguinário como vemos e na qual só inocentes têm morrido.

Por exemplo, vamos do universal ao particular: a idéia de equilíbrio de forças está presente na própria diplomacia internacional. Por que um Estado quer uma arma nuclear? Para atacar ou para não ser atacado? Para atacar não é muito racional pois isso seria um apocalipse e suicídio coletivo. Para não ser atacado é racional pois ninguém atacaria um Estado nuclearizado sabendo que seria revidado com hecatombes nucleares também. No caso, a detenção do poder nuclear por um Estado reforça o axioma do direito internacional de não agressão mútua, ao invés de colocá-lo em jogo. Essa é a verdade que as potências não admitem pois não lhes interessa outros detentores do mesmo poder para que não hajam outros agentes ingressando ao mesmo status que eles possuem e que lhes dá hegemonia militar sobre outras nações favorecendo a pressão que exercem até mesmo sobre democracias.

O resultado está no fator psicológico e de racionalidade do Estado, e não que se deseja jogar por aí bombas nucleares sobre os outros a torto e a direito. O mesmo princípio é aplicável nas particularidades da vida interna de um estado para a legítima defesa de seus cidadãos.

Sair atirando por aí feito louco não é o que se deseja, e sim, regidos pela racionalidade do equilíbrio de forças, fazer com que os criminosos se sintam inibidos por uma sociedade pronta para pôr fim ao açougueiro e que seja capaz de se defender em cada esquina que for necessário. Em pouco tempo, o resultado seria visível. Antes só cidadãos de bem com medo sob um poder paralelo do crime com um Estado incapaz de combater sozinho, mas agora bandidos com medo e acuados, pois em todo canto e a qualquer hora poderão ser combatidos.

O que não seria justo é continuar deixando um Estado em guerra como o nosso permitir que filhos fiquem sem pais e pais fiquem sem filhos porque o bandido escolhe quem morre e quem vive todos os dias.

O direito à legítima defesa é natural, e o Catecismo  da Igreja Católica reitera no parágrafo 2265 que é possível “apelar às armas para repelir as ameaças” e que isso compete “às autoridades detentoras deste poder”.

Muitos poderiam usar essa “competência das autoridades no uso das armas” assinalada pelo Catecismo para se posicionar contra o armamento civil dizendo que não caberia isso aos cidadãos comuns. Mas Não! O mesmo Estado que detém a autoridade dos armamentos pode delegá-la a outros, seja aos seus agentes públicos ou aos civis de modo geral sob determinados critérios que gerem certo rigor na sua dispensação. Aí entra uma questão democrática em que se deve discutir quem deve deter esse poder e autoridade do porte de arma de fogo para a defesa da sociedade e quem não. Então quando aqui falamos de um Estado delegar essa autoridade dizemos de um ente democrático e não de uma ação determinista de um Estado totalitário isolado das ânsias da nação e de suas necessidades mais prementes.

É verdade que também o Catecismo condena uma corrida irracional aos armamentos, isto é, um armamentismo, que no caso não se baseia na racionalidade da defesa proporcional e devidamente ordenada, porém se fundamenta no mero medo desordenado.

A legítima defesa não deve ser confundida em termos com o armamento civil, pois uma coisa é o princípio moral que a rege e outra é a práxis e o modo de empregar este direito, o que pode ser discutido em sociedade, dadas as circunstâncias, para se saber a proporcionalidade necessária no uso dos meios afim de obter uma justa ordem das coisas que produza o fim almejado: a paz!

No debate público, devemos rechaçar o falso moralismo que se impõe por agendas progressistas e discutir princípios morais baseados na verdade, isentos de finalidades ideológicas que furtam direitos em vista de objetivos de poder de grupos sectários da sociedade civil.

Como cristãos e cidadãos de bem sejamos livres para debater sobre a justiça, os fatores legais, a ordem social e os meios eficazes para obter a paz no combate à criminalidade.

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