A Teologia da Prosperidade é uma farsa religiosa e grave ofensa aos pobres

A Teologia da Prosperidade é materialista e se assemelha à velha mentalidade judaica em que o ‘justo tem que ser recompensado na vida terrena e o mau castigado aqui’.

Assim pensavam, pois até certo período da Revelação, o povo hebreu não tinha ainda o conhecimento sobre o Paraíso, do qual só se tem ciência mais claramente a partir do livro de Sabedoria.

Antes disso se acreditava que o Xeol era para onde iam todos os mortos, os bons e os maus. Então, como cada um pagava por seus atos? Na vida! Daí o livro de Jó e seus questionamentos: “Por quê o justo sofre”? O livro na verdade se torna uma constatação do absurdo desta mentalidade em pensar que o justo não pode sofrer, e de que se ele sofrer, não é verdadeiramente justo, e de que o mau tem que ser castigado na vida.

Ora, sabemos que não acontece assim na maioria dos casos e nem precisamos do livro de Jó para ter essa certeza. Basta olhar os corruptos à volta em contínua prosperidade e os pobres honestos oprimidos e machucados.

A resposta ao sofrimento humano

A resposta para o sofrimento humano vem com a revelação da existência de um Paraíso junto de Deus. Por exemplo, diante disso é aplicável a parábola do Novo Testamento sobre o Rico e o pobre Lázaro, que na vida terrena e na eterna têm destinos proporcionalmente inversos. Jesus ali também estava contestando a mentalidade materialista judaica que ainda guardava resquícios da visão do primeiro período veterotestamentário.

Ademais, Jesus é o justo que sofre, mas que recebe a vida de volta como recompensa do Pai. Portanto, está dada a resposta: a vida em abundância e a Ressurreição é a recompensa do homem de fé, bom, justo e virtuoso, e não a materialidade do mundo transitório.

As duas origens do sofrimento humano

Há duas origens do sofrimento: universal, e no caso, impessoal e aleatório, e o particular, que possui um caráter linear e é consequência das ações do próprio padecente. No universal, a sua origem se explica no pecado original, quando veio sobre o universo o sofrimento e a morte como consequências: “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). Isto é, as consequências físicas e materiais dali em diante se desenrolarão sobre todos: bons e maus, justos e injustos, santos e pecadores, pois “todos pecaram”. No sofrimento de origem particular, temos o mal como consequência dos pecados pessoais e das ações que o favorecem mesmo não sendo pecado.

Jesus aceitou sofrer e carregar os nossos fardos como expiação afim de recapitular à humanidade a um novo estado. Mas ele, bem como a Virgem Maria, não mereciam o salário do sofrimento e da morte, pois não carregavam participação naquela humanidade ferida pela culpa universal e estavam preservados da mancha do pecado original: “Novo Adão e Nova Eva”. Ele, contudo, nos ensinou a sofrer transformando o mal padecido em sacrifício de fidelidade e obediência a Deus que terá a vida como recompensa. E assim foi.

Aplicação à teologia da prosperidade

Dada essa explanação, entenda que a teologia da prosperidade é um retrocesso religioso e empurra à ignorância sobre a própria Escritura em seu todo, esta que, se for lida e entendida integralmente, obterá ao homem a chave de leitura para os dilemas mais fundamentais da humanidade.

Se busca nesta teologia uma recompensa de Deus já na vida partindo de um desejo de prosperidade meramente material reduzindo a graça à mera transitoriedade e materialidade. É a “graça de Deus” mercantilizada e materializada em prosperidade financeira, que é “dada” aos que cedem seu dinheiro aos ricos pastores, ou que ao menos se comportam bem diante das leis e de alguns “rituais” propostos por aquela fé. É um mercado onde o homem faz e Deus paga, financiando-o para viver bem sobre a a face da terra, pois foi um bom mocinho da fé.

Os pastores malvados e gananciosos sugam o dinheiro dos pobres enquanto eles, tal como o Edir Macedo, deitam e rolam no luxo. Enganam as pessoas mais simples e aquelas que tem um raciocínio mais limitado para perceber que esse tipo de religião não tem a mínima lógica com o Deus revelado das Escrituras.

Conheço um caso acontecido antes de eu entrar para o seminário, em que uma mulher que frenquentava a Igreja Universal, diante do pedido manipulador do pastor, deu todo seu salário para ele acreditando que Deus lhe iria recompensar pelo ato imprudente e ilógico.

Ela em consequência passou muitos dias do mês dando pipoca para suas crianças para alimentá-las pois não tinha dinheiro para sequer abastecer a dispensa da casa.

Ladrões, assaltantes, cruéis, gananciosos, lobos, “assassinos”, manipuladores, falsos profetas e impostores religiosos. Assim são os teólogos da prosperidade que superpopularam o culto protestante fazendo da igreja deles um balcão de negócios.

A Verdade liberta

Nós, que vivemos o verdadeiro cristianismo, não esperamos que Deus nos enriqueça, e sim que nos dê a vida eterna. Muito embora contamos com a sua providência para que por uma equilibrada prosperidade, e não por um fanatismo pela prosperidade, tenhamos condições mais dignas e ajudemos os irmãos e irmãs.

É muito bom saber que entre os protestantes há vozes discordantes a essa maldita “teologia” que escraviza ignorantes.

Ora, antes de pedir bens materiais, peça o Espírito Santo de Deus, a sabedoria, a força, o entendimento, a fé, a conversão, pois clama Cristo diante destas enganações e charlatanices: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado” (Mt 6, 33).

Realmente, Deus não falta com a sua providência aos seus amados, e nem mesmo aos que lhe são maus e indiferentes. “Ou, acaso, o sol não nasce sobre justos e injustos?” (Mt 5, 45). Porém Deus não é prateleira de mercado a quem você faz algo para depois apanhar o produto que deseja, a mercadoria de sua preferência. E por causa dele devemos esquecer até as nossas preferências: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”.

Padre Augusto Bezerra

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