O ateísmo e o relativismo não se sustentam logicamente! – Mas, afinal, há ligação entre ambos?

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Essa interessante abordagem é elaborada num novo livro de autoria do padre Anderson Alves com o título: “Ateísmo e relativismo, é possível conciliar?“. Deixo para vocês a apresentação do livro que pode ajudar na formação de vocês. É um conteúdo imperdível e instigante para os críticos. E caso venha se interessar  pelo livro, acesse o link que disporei a seguir para a compra online. Tenham uma ótima leitura.

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“É possível conciliar ateísmo e relativismo?” É a pergunta que está por detrás dos textos  apresentados nesse livro. Procuramos refletir sobre dois fenômenos culturais da atualidade – o ateísmo e o relativismo – buscando, em primeiro lugar, discutir se são coerentes do ponto de vista lógico. Posteriormente, procuramos analisar as consequências culturais desses dois tipos de pensamento na sociedade atual, com a atenção especialmente voltada para as questões educativas.

Partimos da conhecida afirmação presente num romance de Dostoiveski: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Essa afirmação pretende afirmar o relativismo moral, ou seja, a afirmação que todo comportamento moral é igualmente bom (ou igualmente mau). Esse relativismo se fundamentaria em uma verdade prévia: a inexistência de Deus. Assim, uma verdade intelectual estaria fundando o relativismo moral.

 

Contudo, muitos afirmam hoje em dia a inexistência de Deus e de qualquer tipo de verdade, seja intelectual, seja moral. Ora, mas se não existe nenhuma verdade, como pode ser verdade que Deus não exista? E se estou seguro de que não exista Deus, como posso dizer que não há nenhuma verdade? Em outras palavras, se o ateísmo é verdadeiro, o relativismo, a afirmação de que cada verdade seja apenas aparente – não pode ser verdadeiro. Se o relativismo é verdadeiro, por outro lado, não posso estar absolutamente certo da inexistência de Deus.

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O livro procura mostrar ao leitor que ambas as posturas – o ateísmo e o relativismo – se fundam numa visão antropológica inconsistente, pois considera o homem o centro de todas as coisas, ignorando o próximo e a mesma realidade externa ao sujeito. Ateísmo e relativismo seriam duas formas de raciocínio próprias de quem olha excessivamente para si, sem conseguir desapegar-se da própria imagem, das próprias ideias, dos próprios gostos.

O livro traz o prólogo de Lluis Clavell, ex-presidente da Pontifícia Academia Santo Tomás de Aquino, e um autêntico mestre que orientou a minha tese doutoral, em Roma. Segundo o professor Clavell, nosso trabalho está na linha de outros trabalhos acadêmicos. Ele cita uma declaração de dois filósofos norte-americanos publicada em 2017, Robert P. George and Cornel West. O primeiro é professor de filosofia do Direito na Universidade de Princeton, conservador influente e crítico de Trump; o segundo, Cornel West, é professor de filosofia política em Harvard, democrático, crítico de Obama e ator coadjuvante nos filmes Matrix.

Outros estudos citados por Lluis Clavell, que estão na mesma linha do nosso livro, são o de J. Meseguer, intitulado: Pensamento crítico: uma atitude, publicado em 2016 na Espanha; e também uma obra mais antiga: The Closing of the American Mind, de Allan Bloom, publicado nos Estados Unidos em 1987.

Como é muito difícil apresentar um livro, despertando o interesse dos possíveis leitores, sem contar o que diz o livro, pretendo expor algumas ideias expostas nas obras antes citadas que efetivamente estão de acordo com as ideias expostas no nosso livro.

J. Meseguer recorda um texto da filósofa contemporânea H. Arendt. Numa carta dela a K. Jaspers, disse: “o que aprendi do senhor é que só importa a verdade, e não as formas de ver o mundo”, em outra ocasião ela expressou o que seria o lema da sua vida: “Para mim, o essencial é compreender, eu tenho que compreender”. De fato, ela sempre viveu buscando compreender a realidade. Teve um modo de pensar e de narrar próprios, que partiam sempre da experiência, da observação da realidade. Ela era consciente de que seja necessário tocar a realidade para não deslizarmos pela sutil rampa da ideologia.

O que H. Arendt nos mostra é que a liberdade de pensamento deveria estar baseada na conformidade voluntária com a realidade. É pela realidade que comprovamos a validade de cada modo concreto de ver o mundo. É certo que cada pessoa tem sua forma de ver o mundo, mas nem todas as visões do mundo refletem a realidade. Os moinhos de ventos vistos por Dom Quixote não eram gigantes, mesmo estando ele totalmente convicto daquilo.

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A declaração de Robert George e Cornel West recebeu a adesão de centenas de autores das mais diversas tendências de todo o mundo. Aquele texto dizia o seguinte: «Ninguém e infalível (…). Contudo, isto não significa que todas as opiniões sejam igualmente valiosas ou que seja preciso ouvir a todos por igual. Também não quer dizer que não exista uma verdade que deve ser descoberta. Nem que necessariamente se esteja no erro, ou o estejam os outros».

Sendo assim, o pensador crítico está convencido da existência da realidade e é uma espécie de detetive. Segundo Mesenguer, é como Sherlock Holmes, que sabe que não pode compreender a verdade inteira e por isso busca a ajuda dos outros. Ele sabe escutar, se interessa pelas diversas visões de mundo, ouve as versões das diversas testemunhas e as conjeturas da polícia. Ele ouve e reflete, mas não para aí, ele se confronta com a realidade. O pensador crítico tem interesse por conhecer a realidade, mais do que as diversas visões do mundo. “Se o que está na minha mente coincide (é adequado, corresponde) com o real, então há verdade” (J. Aranguren).

O pensador crítico possui uma espécie de arte: ele sabe combinar a segurança nas próprias convicções e a flexibilidade e abertura de mente capaz de matiza-las, melhorá-las, inclusive abandoná-las quando os dados ou argumentos dos demais estão mais próximos da realidade que os próprios. De modo que defender com firmeza uma ideia é compatível com a colaboração criativa com os demais.

O filósofo, teólogo e educador R. Guardini bem expressou as qualidades do pensador crítico quando disse: “Tem convicções firmes, mas ao mesmo tempo aprende de todos. Segue o próprio caminho sem desviar-se, mas com respeito pelas opiniões alheias. Permanece fiel a si mesmo e sabe criar juntamente com os outros”.

Segundo Guardini, o homem aberto à realidade e desejoso de conhecer a verdade não tem medo do pluralismo, não fica nervoso diante de pessoas que pensam diferente de si. Ele aceita o pluralismo e é exatamente isso a sua força. “Neste saber estar junto a um outro com tranquilidade e grandeza de coração se mostra a sua força. Quem não deixa ser os outros, é um fraco. Pois se estivesse seguro de si mesmo, se manteria tranquilo junto deles e não chegaria a pensar que têm que ser como ele” (R. Guardini).

O pensador crítico crê na existência da verdade e acredita que a conversa racional pode ajudarnos a esclarecê-la. O maior modelo de pensamento crítico foi Sócrates, o pensador que criou um modelo de ensino e de conhecimento baseado no diálogo. O seu método foi peculiar: “preocupava-se mais por estimular a reflexão do que pela simples troca de ideias; e era dirigido a esclarecer a verdade e a desmascarar a falsidade, a inconsistência, a falácia”. O seu trabalho era diferente daquele dos sofistas, aos quais “não interessava a busca da verdade, mas sim encontrar as formas de convencer o povo, a autoridade, o tribunal de justiça, para que aceitem seus pontos de vista” (Mordecai Roshwald). O sofista é bem parecido com o corrupto, o qual não economiza esforços para convencer-se de que faz sempre o que é bom e justo.

Um dos temas centrais do nosso livro é a reflexão sobre o relativismo. Sobre isso, é relevante o pensador canadense Charles Taylor. Segundo ele, o ideal da modernidade não é mais o socrático, que visa conhecer a verdade sobre o mundo externo a si. O ideal moderno é o da autenticidade. Na modernidade, a verdade foi sendo lentamente substituída pela autenticidade. De fato, esse ideal foi forte em Rousseau e Herder popularizou a convicção de que cada um tem uma forma original de ser. Ser autêntico significaria, pois, ser fiel à própria originalidade.

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Segundo Taylor, pensadores como Fichte e Kant produziram o giro subjetivo da cultura moderna. Segundo essa espécie de “giro copernicano”, o contato com a própria interioridade seria a única fonte para a descoberta de uma existência plena.

Essa forma de pensar implica uma afirmação radical: “as coisas não têm significado em si mesmas, mas só porque as pessoas assim o creem, como se pudessem determinar que é significativo, bem por decisão própria, bem talvez só porque assim o pensam”. (Taylor). De fato, Fichte deu o seguinte conselho: “afasta teu olhar de tudo o que te rodea e em teu interior está a exigência primeira que faz a filosofia e os seus aprendizes. Não se fala de nada que esteja fora de ti, senão de ti mesmo”. O “eu puro” acabou entronizado e deu espaço ao mais forte voluntarismo.

Nietzsche levou esse projeto moderno ao seu extremo. Para ele, um mundo sem nenhuma verdade, nenhuma ordem moral objetiva, dá espaço ao super-homem: “um homem livre de vínculos, que declara o que é justo e o que não o é”. O super-homem deve superar o niilismo moderno, ou seja, a negação da existência de autênticos valores, e deve preencher o mundo de sentido. O super-homem é o homem mais forte, que deve impor os seus valores ao mundo de “subjetivismo arbitrário”, e não através do diálogo.

O que está por detrás disso tudo é, no fundo, o grande esquecimento da realidade, o “esquecimento do ser”, para utilizar a expressão de M. Heidegger. G. Vattimo, um pensador que pretende ser uma espécie de porta-voz do pensamento pós-moderno, de fato, disse recentemente: “não há mais nenhum ‘mundo verdadeiro’, ou melhor, a verdade se reduz totalmente ao ‘posto’ pelo homem, isto é, à vontade de poder”.

Em 1987 o filósofo norte-americano Allan Bloom publicou um influente livro: The Closing of the American Mind, how higher education has failed democracy and impoverished the souls of today’s students. A tradução literal do título do livro de Bloom seria: O fechamento da mente americana. Como o ensino superior falhou na democracia e empobreceu as almas dos estudantes de hoje¸um título que é uma verdadeira tese. O livro foi publicado no Brasil em 1989, com o seguinte título: “O declínio da cultura ocidental. Da crise da Universidade à crise da sociedade”. A tradução do título certamente não foi literal, mas sim uma espécie de interpretação.

Aquela obra foi por semanas a mais vendida nos EUA, embora seja um livro de educação universitária. O autor foi chamado para expor as ideias principais daquele livro ao governo dos EUA e da Inglaterra na sua época.

Para Bloom, Nietzsche foi o pensador que mais levou a sério o giro subjetivo da modernidade. A partir de então o “eu” se torna o centro do ser, do conhecimento e da eleição do bem. Bloom bem pontua que o ponto de vista moderno implica que “nós não amamos uma coisa porque é boa, mas uma coisa é boa porque a amamos. É nossa decisão de estimar o que faz que algo seja estimável”. O bem, portanto, não é prévio à nossa decisão, mas é consequência dela. A nossa escolha faz com que as coisas sejam boas, e não é o bem da realidade que move a minha liberdade. A modernidade assim muda o conhecimento metafísico e a busca racional do bem e dos valores por uma nova linguagem: agora o que vale é o relativismo dos valores. Em outras palavras, as coisas têm valor porque eu decido que tenham.

Segundo Bloom, Nietzsche não se contentou em dar o diagnóstico da enfermidade, mas a agravou. O vazio de sentido reconhecido na modernidade seria consequência da ruptura do conhecimento humano com a realidade. Para Nietzsche, porém, esse vazio deve ser preenchido: o homem novo deve criar novos valores. O homem novo não está ligado ao ser e à sociedade, possui uma liberdade desvinculada e deve recriar o mundo, deve dar um significado a cada coisa, um valor que não lhe foi dado nem por Deus nem pela natureza.

Essa concepção não deixa espaço para uma busca racional por valores objetivos. Para Nietzsche, os valores são invenção do sujeito e fruto da vontade humana. São impostos, não pela razão, mas pela força, pela luta. O voluntarismo radical nietzschiano funda-se no niilismo, na afirmação radical que nada possui um sentido intrínseco.

Uma vertente do niilismo nietzschiano é “a herança do pensamento débil, do relativismo moral, do subjetivismo cético diante de qualquer valor ou presumida verdade”. De fato, afirma que não pode haver verdades absolutas e por isso é necessário desconstruir os grandes relatos, as grandes explicações do mundo, tanto religiosas quanto metafísicas. O homem deve se limitar a viver em paz com a pluralidade de opiniões.

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Para Bloom o relativismo está no centro da crise intelectual do nosso tempo. Dizia ser a característica mais acentuada da juventude universitária dos EUA até os anos 80. O relativismo não seria algo sério, demonstrado, mas algo aceito desde muito cedo, pois a juventude teria sido “doutrinada” segundo essa concepção da vida desde os anos da infância. Para os jovens, o relativismo seria um “postulado moral”: cada um acredita que a verdade é relativa, que cada um tem a sua verdade, e ninguém tem o direito de julgar os pontos de vista e os estilos de vida dos demais. Isso seria o ideal de abertura transmitido pela educação americana: “formar mentes abertas”. A abertura de mente seria “a condição de uma sociedade livre”.

“O perigo é que foi ensinado a temer não o erro, mas a intolerância” pelas diversas formas de pensar, diz Bloom. Para evitar o risco da intolerância, é preciso renunciar a pensar com pretensão de verdade; todos os pontos de vista devem ter um idêntico valor. Todos os estilos de vida devem ter o mesmo valor; o importante é promover a diversidade e nunca pensar que uns podem ser melhores do que outros. Isso teria sido a doutrina que os estudantes teriam aprendido nos últimos cinquenta anos nas escolas elementares dos EUA.

O problema é que o relativismo total acaba gerando indiferença. Quando a abertura e a diversidade passam a ser os valores absolutos, inclusive acima da verdade, ocorre que, de fato, “não necessitamos dos outros”. Se todo o mundo tem o seu modo de ver e nenhum deles é melhor do que os outros, não é necessário conhecer de verdade o próximo e dialogar seriamente com ele. “Assim, o que foi anunciado como uma grande abertura é, na realidade, um grande fechamento. Não há esperanças de que em outros lugares e em outros tempos existam grandes sábios que possam revelar a verdade sobre a vida” (Bloom).

O relativismo gera, pois, ignorância e isolamento. Em palavras de Bloom, cria uma “abertura da indiferença”. Isso é o oposto a um dos principais fundamentos da sociedade ocidental: a crença socrática na existência da verdade objetiva, que pode ser alcançada através do diálogo, desde que o que expressamos se confronte seriamente com a realidade. Diante da “abertura da indiferença”, Bloom propõe a “busca de conhecimento e de certeza”, ou seja, a abertura defendida pela tradição filosófica ocidental iniciada com Sócrates: a que dispõe a buscar a verdade e o bem da realidade através da razão.

Segundo Charles Taylor, o subjetivismo que exalta o indivíduo autônomo como fonte exclusiva de verdade e moralidade é o centro da cultura moderna. Porém, essa visão da modernidade é reducionista. O ideal de autenticidade, reivindicado pela filosofia moderna, não deve levar à ruptura com a história, a tradição, a sociedade, a natureza e Deus. É preciso, pois, fazer um projeto positivo de autenticidade, discernindo a mesma de suas formas degradantes. Isso significa que o direito a se afirmar, a ser o próprio eu original, a escolher a própria vida não exclui a existência de vínculos essenciais ao ser humano. De fato, o homem vai ser sempre um ser social, necessitado do próximo para nascer, crescer, ser educado e se desenvolver, formando bem a própria inteligência e vontade, na medida em que estão abertas à realidade.

“Só se existo em um mundo no qual a história, ou as exigências da natureza, ou as necessidades do meu próximo humano, ou os deveres de cidadão, ou a chamada de Deus, ou alguma outra coisa deste tenor tem uma importância crucial, posso eu definir uma identidade para mim mesmo que não seja trivial. A autenticidade não é inimiga das exigências que dimanam do mais além do eu; pressupõe, ao contrário, essas exigências” (Charles Taylor, pp. 75-76).

Descobrir a própria identidade e desenvolve-la significa crescer em liberdade. O homem precisa assim encontrar um projeto de vida significativo para que isso ocorra e necessita decidir por si mesmo. A liberdade autêntica se desenvolve assim como uma “abertura a horizontes de significado”, diz Taylor, e se desenvolve “em um contexto dialógico que nos liga aos demais”. Por outro lado, certo pensamento moderno concebe uma liberdade “que não reconhece fronteira alguma, nada em concreto que eu tenha que respeitar”. O pensador que mais expressa essa liberdade sem vínculos, sem propósitos e sem sentido é Nietzsche, o qual é seguido por pensadores pós-modernos como Derrida e Foucault.

A liberdade sem vínculos, porém, leva a uma situação dramática: pois os homens terminam “sozinhos em um universo mudo, carente de significado intrínseco […] no que não há opções que sejam muito significativas porque não há nenhum assunto que seja crucial” (Charles Taylor).

De fato, quando se diz que toda opção é igualmente valiosa, porque é fruto de livre escolha e é a escolha que lhe confere valor, nega-se a existência de algo último, o que Taylor chama de “horizonte de significados”, em vista dos quais algumas coisas valem a pena, outras valem menos, e outras não tem nenhum significado. Se não há algo único, uma realidade que tenha valor em si, toda escolha concreta perde o seu valor, pois “se situa no mesmo plano de qualquer outra preferência”. No final, todas as escolhas perdem a sua importância.

Uma liberdade pretensamente absoluta, que negue todo tipo de vínculo e não reconheça o valor da realidade e do seu conhecimento, é na verdade um tipo de escravidão na indiferença. De modo que, como diz Taylor, “ao menos que certas opções tenham mais significados do que outras, a ideia mesma de auto escolha cai na trivialidade”. Por isso, a eleição livre “só tem sentido porque certas questões são mais significativas do que outras”, e seu valor não depende da minha decisão, da minha determinação. O seu valor deve estar “além da eleição mesma”.

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Espero que essa introdução possa desperta-lhes o desejo de ler a nossa obra e que possamos continuar em diálogo, convictos de que a autêntica abertura de mente é uma verdadeira força para guiar nossas vidas e nosso trabalho no âmbito universitário.

Pe. Anderson Machado R. Alves

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