Quem disse que o poder é mal? Não é antes o homem que corrompe o poder que se lhes dá? Acaso, não é a ganância, a cobiça, o mero desejo de vanglória, uma cadeira, um titulo, um posto, um nome e a exaltação aos olhos dos homens que transformam as potências de serviço em condições de vileza, tirania e toda espécie de concupiscência?

Aquilo que mais prejudica a Igreja é que muitas pessoas dentro dela querem lugares, mas não servir. Servem-se a si mesmas, defendem o que é seu, não o que é do Seu Senhor. Amam mais a si mesmas que ao próprio Deus. Aquele que deveria ser o primeiro é o último, um esquecido marginalizado.

Em muitos ambientes de nossas circunscrições de fé tudo é amado, menos Cristo. Ofendem o Senhor da glória os que amam a sua própria glória, ofendem o Rei dos reis os que querem portentosamente dominar sem em nada e nada submeterem a Ele.

Poder e serviço: essas são duas realidades que somente são repartidas em dois opostos por uma criatura rebelada, o diabo. Porque ele não quer que os que servem possam, e não quer que os que podem sirvam. E nisto, ele divide as duas potências, que Cristo pode empregar para o bem de seu Corpo Místico, a Igreja, para que por elas mova o conjunto de seus membros na mais perfeita unidade.

Enquanto em nosso Mestre vemos a realeza e o serviço, o poder e a kenosis, a força e a fraqueza, a potência e a humildade, a autoridade e o abaixamento, muitos homens lutam por simplesmente poder. Isto lhes basta, pois seu deus é sua glória, o seu estômago, o seu dinheiro, a sua imagem e o seu nome. E os bezerros de ouro são a sua religião. E a praticam homens grandes e pequenos.

O quanto isso tem nos furtado almas do céu? Quais são as somas do prejuízo que o Evangelho ainda terá com vosso descanso e paz terrenos?

Se não mexer em sua comida, dinheiro, imagem e glória, tudo está em paz. Enquanto isso lobos estraçalham o rebanho de Cristo.

Ora, e Deus não acabará com vossa tão provisória paz se não se convertem em tempo?

Se mexem no seu deus, isto é, nos bezerros de ouro, guerra aos homens. São erguidos os flancos e preparam a ruína de outros para sustentar uma sobrevida.

Pagãos! Pagãos! Pagãos!

Cristo pode, é potência, e serve. E para aqueles que pensam simplesmente repousar na terra enquanto deveriam ser apenas peregrinos, e viver de oportunismos humanos enquanto deviam se gastar pelo Seu Verdadeiro Senhor, ele já adverte a severidade de sua condição: “As raposas têm suas tocas e as aves dos céus seus ninhos, o Filho do Homem porém não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9,58).

Muitos perambulam preparando seu descanso na terra, enquanto o Filho do Homem se fatiga pela salvação com poucos operários, que são caluniados, vexados, perseguidos e humilhados. Contudo, isto lhes é próprio da condição.

É verdade que estes operários não reclamam se o salário que lhes dão é o direito às Bem-Aventuranças, que é o maior lucro que um ser humano pode obter dessa vida.

O demônio tem esterelizado cadeiras, escritórios, departamentos, comunidades, lideranças, cátedras, através das ofertas da mundaneidade, tais como a amizade dos homens a qualquer preço e o ter pelo ter, que se esquiva da partilha, do serviço e de uma comunhão com a vontade divina.

Mas, por fim, perguntamos: “Quem como Deus”? “Levante-se Deus, e sejam dispersos os seus inimigos e fujam de vossa Face todos os que vos odeiam”. Pois se os homens de seus lugares disserem como Lúcifer: “Non serviam”, o poder de Deus lhes servirá a consumação de uma verdadeira justiça. Quanto aos que dizem: “Serviam”, poderão cantar o Magnificat junto àquela que serviu da simplicidade de sua vida até o fim proclamando: “Derrubou dos tronos os poderosos e exaltou os humildes”. E é deste modo que Satanás definitivamente teve sua cabeça pisada pelo “serviam” da Virgem e de sua descendência num sim claro, objetivo e sem mundaneidades.

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