Quem disse que política e religião não se misturam? Ora, principalmente andam de mãos dadas para os “cristãos” marxistas de plantão. Mas que adoram ver outros jogar, e aliás, eles mesmos jogam esse jargão sobre os seus opositores demonstrando uma espécie de falso moralismo que tem o único intento de cessar os posicionamentos que lhes são contrários, donde vem a dizer: “Política e religião não se misturam”. Sobre isso, até escrevi um artigo algum tempo atrás. Se quiser conferir, basta conferir no link a seguir.

Política e religião se misturam? Se sou cristão, em quem votar?

Nesses últimos tempos, vemos uma crise dentro de alguns setores da Igreja também como consequência do cenário político brasileiro em frangalhos. O projeto marxista está gravemente comprometido em seu futuro e há um despertar de consciências  em todos os âmbitos contra as tentativas de comunização da nossa nação.

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Acontece que a Teologia da Libertação está de pés à cabeça metida com a construção do marxismo cultural no Brasil e envolvida com a consolidação dos governos de esquerda durante anos, especialmente na era PT. São verdadeiros infiltrados com intuitos ideológicos.

Para compreender melhor a postura eclesiológica dessa gente poderíamos primeiro expôr o seguinte esquema de leitura hermenêutica em ordem de precedência e fazendo um paralelo com a real eclesiologia.

Tendo isso em mente, não precisamos dar tantas volta para chegar onde queremos. Daqui em diante vamos explorar um artigo que foi publicado por Mauro Lopes no Blog OutrasPalvras.net no dia de ontem, 5 de junho, e intitulado de a “Perseguição à Teologia da Libertação baseou-se em duas fraudes, indicam pesquisas”.

Ele inicia o artigo dizendo o seguinte: “houve três razões, e nenhuma delas efetivamente teológica, que moveram o combate à Teologia da Libertação no Brasil e América Latina a partir de 1978, início do pontificado de João Paulo II e durante todo papado de Bento XVI”.

Antes de mais nada, o título já estabelece uma narrativa de perseguição e vitimismo, uma forma da esquerda sobreviver em todos os tempos e lugares, inclusive na Igreja. Se dizem os oprimidos, aterrorizados por uma hierarquia malvada, maquiavélica, etc.

Em segundo lugar, as razões do combate à Teologia da Libertação são sobretudo teológicas, por sua visão eclesiológica oposta à fé da Igreja como já demonstrado acima no esquema elaborado.

Mais adiante, ele faz a demonstração das três razões citadas por ele. E para cada uma delas, farei uma resposta refutando-as, e uma última confirmando-a.

1. “A primeira tem fundo político-ideológico: demonizou-se a Teologia da Libertação como se fosse uma adesão ao marxismo e/ou comunismo, enquanto os dois papas e seus apoiadores eram e são arraigadamente capitalistas e defensores do direito à propriedade e à acumulação irrestrita de riquezas. A Igreja no Brasil virou as costas aos pobres como sujeitos da ação pastoral para fazer deles, no máximo, objeto de um olhar piedoso. O artigo não se deterá sobre este assunto”.

Resposta: Tentar dissociar a Teologia da Libertação do marxismo é uma ferramenta de linguagem para tempos de crise, afim de sobreviver mediante às reações de oposição às suas posturas por parte dos fiéis e da hierarquia. Assemelha-se a história da “Roupa Nova do Rei”. “Um bandido que se fez passar por alfaiate prometeu ao rei uma roupa que só os inteligentes veriam, e dessa maneira o charlatão mexeu com as suas vaidades. Depois de pronta, o rei vaidoso fingindo ver algo, assim como os seus bajuladores, que queriam agradar o rei e lhe parecer inteligentes também, pôs-se a vestir orgulhosamente a peça inovadora. Porém a única pessoa a desmascarar a farsa foi uma criança: “O rei está nu!”. O grito é absorvido por todos, o rei se encolhe, suspeitando que a afirmação é verdadeira, mas se mantém orgulhosamente e continua a procissão”. Isto é, enquanto todos gritamos que “o rei está nu”, a Teologia da Libertação tenta contornar a situação convencendo a todos que não, é tudo uma armação contra eles, uma perseguição horrenda de quem quer depô-los por interesses escusos. Querem seguir orgulhosamente a procissão mesmo tendo que fingir ser o que não são.

O autor Mauro Lopes diz neste primeiro ponto duas mentiras e uma verdade sobre os papas João Paulo II e Bento XVI.

– “De que eram arraigadamente capitalistas”. O fato é que ambos se posicionavam conforme dita a Doutrina Social da Igreja (DSI) absolutamente contrários ao marxismo ateu e ao comunismo, que são opostos aos princípios da fé e até mesmo a direitos inalienáveis do homem. Mas também condenavam abertamente o capitalismo liberal, ao qual quis atribuir-lhes Mauro Lopes quando usou um advérbio numa linguagem hiperbólica para denominá-los: “arraigadamente capitalistas”.

Quanto à doutrina social, os dois pontífices sempre andaram alinhados na interpretação dos fatos históricos e no anúncio da Igreja, e foi a esse tempo que se compilou uma vasta fonte documental pelo chamado Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI), que reúne toda sua crítica, visão social e antropológica (se quiser conferir este material, já deixo aqui o link para explorá-lo posteriormente: clique aqui. Ou senão, baixe-o em PDF para estudá-lo oportunamente clicando aqui).

De todo modo, quero presentear o articulista com uma notícia de 14 de maio de 2007 da RTP Notícias, que mostra completamente o contrário do que ele disse. O Papa Bento XVI, que foi também chefe da Congregação para a Doutrina da Fé do pontificado de São João Paulo II, criticou duramente o capitalismo liberal, o marxismo e o totalitarismo. Veja:

Bento XVI critica capitalismo, marximo e governos autoritários

– “De que eles defendiam a acumulação irrestrita de riquezas”. Desonesta afirmação! Como aqueles que criticam o capitalismo liberal, podem ao mesmo tempo ser defensores da acumulação irrestrita de riquezas? Não dá pra ser. Seria incoerente. Pois o equilíbrio ético do capitalismo não-liberal está exatamente em considerar o bem estar social de todos. Além disso, a DSI é muito clara sobre a caridade social e o olhar benevolente para com os menos favorecidos por parte daqueles que detém a riqueza legitimamente.

– Por fim, a verdade: “De que eles defendiam o direito à propriedade”. Sem dúvida alguma, porque corresponde à dignidade do homem ter o fruto de seu próprio trabalho. Isso é justo e lícito. O marxismo tenta transformar este direito quase que numa espécie de crime e lhe desfigura com ares de ilegitimidade, como se o homem que trabalhou e teve a obtenção de seu sustento tivesse roubado algo dos demais. Ao contrário, quem defende o fim do direito à propriedade privada que deve ser dito alguém com intenções obscuras, ladrão, invejoso e preguiçoso, cometendo assim verdadeiros pecados capitais. A DSI defende sim a propriedade privada como direito inalienável daquele que o obtém de forma lícita, e não poderia deixar de defendê-lo por um questão da própria virtude da justiça: “Dar a cada um o que é devido”. Como disse Jesus no evangelho: “Dai a César o que é de César” (Mt 22,21).

2. “A segunda razão foi eclesiológica (de ecclesia, Igreja) e vincula-se ao tema do poder: os dois papas, João Paulo II e Bento, a Cúria romana e a maioria da hierarquia católica no Brasil e América Latina consideram os leigos (pessoas que não são ordenadas sacerdotes) cidadãos de segunda categoria na Igreja. Defendem que a autoridade e o poder devem concentrar-se integralmente nas mãos da hierarquia. Para eles, todo o poder emana do clero e em seu nome será exercido –para implementar essa visão, amealharam apoio entre em sem número de leigos temerosos e oportunistas. É o que se chama clericalismo. As experiências das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e dos conselhos de leigos nas paróquias horrorizaram os conservadores, que as desarticularam. Para os defensores do clericalismo, uma Igreja circular, não hierárquica, romperia “o mistério”, tornando-a secular, banal, pois as pessoas comuns demandariam ritos de conotação mágica e subserviência à autoridade. Para os conservadores, a solução seria a obediência irrestrita dos leigos à hierarquia e investimentos que garantissem ordenação de mais padres e a abertura novas paróquias. A estratégia mostrou-se equivocada, como você verá nas pesquisas, mas serviu para concentrar o poder da Igreja nas mãos dos hierarcas”.

Resposta: Mauro Lopes entende os poderes da Igreja semelhante a uma liderança secular que conduz os seus povos na maioria das vezes com tirania e violência, tais como dos governos assassinos comunistas. Como diz Jesus: “Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12,34).

Talvez para ele a hierarquia seja sinônimo disso. Por isso, para os marxistas o anarquismo numa sociedade não-comunizada lhes serve ao projeto, pois é uma idéia muito familiar em sua visão de mundo e preparatória para o estabelecimento de seu poder.

Digo ao articulista de que poder na Igreja não é possuir maior dignidade humana que os demais e ser superior em tudo aos irmãos na fé. Esta é uma visão materialista, e não transcendente, esvaziada de santidade. Só o que se podia esperar de um marxista.

Poder na Igreja é serviço, é dar-se aos irmãos e viver para eles. Cristo tem poder sobre mim, e todas as suas potências são empregadas para me servir e salvar, como disse Ele próprio: “Eu não vim para ser servido, eu vim para servir” (Mt 20,-28). Entretanto poder e serviço são realidades que constituem Nele uma só realidade, e assim deve ser para nós também. Poderíamos dizer ser ambas realidades o corpo e a alma da consagração a Deus e da ação pastoral, pois aqueles que Ele ungiu lhes é dado o poder, isto é, as condições e instrumentos, para servir.

O próprio autor tem uma visão preconceituosa do ser leigo e vai contra a bela diversidade do Povo de Deus com suas estruturas que formam um só corpo e todos sendo membros com diferentes funções na vida eclesial, doutrina muito bem exposta com frequência nas cartas de São Paulo.

Ser leigo não é demérito, nem ser inferior aos irmãos constituídos numa dignidade de vida consagrada. Ao contrário, os leigos são a extensão da Igreja no meio do século e uma força imprescindível de seu apostolado, anúncio e participação, tendo eles também deveres, segundo suas condições e vocação, para com Cristo no serviço à Santa Mãe Igreja.

Defendendo o valor da laicidade na vida eclesial em toda sua importância, o Papa João Paulo II lançou um documento em 30 de dezembro de 1988 intitulado de “Christifideles Laici: sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo” (clique aqui).

Como hoje estou muito generoso, presentearei mais uma vez o articulista com uma notícia do News.VA sobre o nosso amado Papa Bento XVI. Confira:

Bento XVI: Igreja precisa de leigos que sejam co-responsáveis da sua missão

Ele ainda diz nesse ponto, que, para eles, “todo poder emana do Clero”. Errado! Todo poder emana de Cristo que nos governa e conduz, Ele que é Rei e Senhor do Universo.

E quanto à virtude da obediência? É própria da fé, pois crer é obedecer. E para que seu povo não se perdesse no caminho com lobos feito estes da Teologia da Libertação lhes deu pastores para no chamado à obediência refugiá-lo, e dizer ao rebanho onde encontrar segurança nos tempos de perigos e ameaças à integridade da fé. A obediência santa é a sobrevivência do rebanho contra lobos sanguinários e carniceiros. Ouvindo a voz de Cristo na legítima voz do magistério eclesiástico os leigos são postos num aprisco seguro.

No fim, querem anular as forças que protegem o rebanho e os pastores que gritam: “eis o lobo”! Querem passagem, caminho aberto para fazerem o que tanto planejam: uma Igreja sem Cristo, sem cruz, sem vida e ressurreição.

Diz também que a divisão hierárquica é uma questão de sobrevivência da autoridade.  Eu porém digo que o fim de uma ordenada hierarquia como querem é um questão de sobrevivência da alcateia.

Acusa de clericalismo os conservadores, mas por outro lado quer clericalizar a todos. E onde está a sua coerência, Mauro Lopes?

Diz que os conservadores não querem uma Igreja circular, como se ela já não vivesse de comunhão na diversidade. O que quer? Uniformizar todo mundo? Ora, cadê a tolerância com a diversidade que tanto pregam?

Para o autor, defender uma superpotência laical é descontinuar a fidelidade da Igreja às suas raízes na Tradição e no Magistério. Daí seu interesse.

Considera que a Igreja pode viver sem o sacerdócio de Cristo, por isso insinua ser um investimento inútil buscar mais vocações sacerdotais. Não vê a paróquia como lugar de missão e epicentro de evangelização, por isso acha que as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) são a única saída para a vida da Igreja.

O fato é que em sua grande maioria as CEBs serviram durante décadas para distorcer a fé do povo de Deus e corromper a sã doutrina trabalhando por um poder paralelo à hierarquia magisterial levado a cabo por verdadeiras facções ideológicas. Tornaram numerosos leigos base para às suas aspirações como massa de manobra de seus intentos.

3. “A terceira motivação para a campanha de ódio e aniquilamento contra a Teologia da Libertação foi pragmática: os conservadores alegavam à época (segunda metade dos anos 1970) que os princípios, opções litúrgicas e prática pastoral de leigos, padres e teólogos vinculados de alguma maneira a esta corrente estavam afugentando os fiéis e esvaziando as igrejas”.

Resposta: Campanha de ódio ou de amor às almas, à salvação delas como é missão da Igreja? De fato, os teólogos da libertação afugentam fiéis o tempo todo, e ainda hoje infelizmente. A sorte de muitas ovelhas é que sentem o cheiro do perigo e a ausência de verdadeiros pastores.

O senhor lhes cobrará por cada uma destas almas perdidas se não se converterem a tempo. Por cada uma delas lhes será dada uma multidão de miríades de dores e agonia no Inferno, lá vocês aprenderão o peso e o valor de cada leigo que menosprezam em sua condição enquanto membros do Corpo Místico de Cristo.

Por fim, Mauro Lopes segue fazendo uma série de demonstrações gráficas de quedas vocacionais, evasão da Igreja, etc. Constrói com isso um verdadeiro #FakeNews lançando uma interpretação forjada como se fosse certa e precisa, sendo que os  dados por si mesmos não podem comprovar a causa de tais resultados nas estatísticas.

Ele atribui tudo a um tipo de fracasso das tentativas pastorais da Igreja conservadora. Eu porém atribuo ao secularismo, ao materialismo ateu que dominou nossa sociedade ocidental pelo marxismo cultural, ao abandono dos púlpitos para servir à política mundana e anticristã. Tudo isso levou a uma degradação catequética, a uma falta de Deus nas famílias e consequentemente na sociedade, a decadência dos valores, a renúncia da transcendência em vista da imanência, daí por diante.

Reclama de uma dita perseguição a membros da hierarquia e a leigos. E digo, não é uma questão persecutória. A Igreja tem o direito de ser o que ele é enquanto instituição fundada por Cristo. Quem não quiser uma Igreja tal como nos foi dada por Ele e que transcende por sua graça na fidelidade, que saia dela e funde sua própria igreja. Mas não nos encha a paciência.

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