Não é de hoje que o Instituto Humanitas Unisinos dedica-se a uma agenda ideológica marxista através de seu portal na internet. Uma breve visita aos seus domínios nos leva para dentro de uma vasta leitura de verdadeiros embustes que no fim de tudo favorecem a sua pauta progressista. Contudo, vamos aos fatos!

Contexto eclesiástico

Diante da crise eclesiástica gerada por uma minoria dos bispos do Brasil ter se manifestado a favor da greve e da paralisação geral no Brasil neste dia 28 de abril, tivemos uma forte indignação dos fiéis, e até mesmo de clérigos, em todo país que se sentiram pressionados em suas consciências a terem que aderir a uma coisa da qual eles discordam ou, mesmo que concordem em parte, sabem que na verdade tudo está baseado num verdadeiro oportunismo do bloco de partidos da esquerda.

Por essa razão muitos viram que não era conveniente entrar numa hora tão grave da história nacional numa manifestação recheada de segundas intenções partidárias. Dizemos segundas em ordem de apresentação, pois em ordem de importância são as primeiras intenções, o objetivo a ser alcançado.

Contexto da greve

Fator 1 – Ora, estamos tentando entender que direitos trabalhistas são esses que justificam em pleno dia útil esta parada brusca de milhões na economia brasileira num momento em que não podemos ter danos na arrecadação e precisamos de dinheiro para pagar as contas? Que direitos são esses, até porque “agora que passou a Reforma Trabalhista na Câmara, vamos ver o que está mantido: Férias, apesar de agora ter possibilidade de parcela-la em até três vezes no ano em acordo com o empregador e o trabalhador, 13° salário, FGTS, Licença maternidade/paternidade, Hora Extra, Adicional Noturno, Aviso Prévio!? E agora vamos ver o que foi retirado: Imposto sindical obrigatório. Ah! Entendi: hoje 15 mil sindicatos foram às ruas reclamando direitos depois da convocação da CUT e seus políticos beneficiados”! Saquei! E preciso continuar? É bom, não é!? Vai que reste alguma dúvida.

Fator 2 – Além disso, a grande derrotada e fracassada politicamente no país desde o Impeachment é a esquerda. Assoma-se a isso a operação Lava-Jato, que claro não se refere somente ao PT e aos demais partidos da esquerda, que serviram para ajudar a afundar ainda mais o navio, uma vez que a esquerda era gestora administrativa de 13 anos de governança, e portanto, a maior responsável pela crise atual.

Fator 3 – As eleições de 2018 estão às portas, e fazer o coro da oposição é importante para a estratégia de marketing afim de fazer o que sempre fizeram: apresentar a imagem paternalista de um salvador do povo pobre e oprimido, uma espécie de figura caricata messiânica, muito própria de ser explorada pelos doutrinadores e seguidores do socialismo

Fator 4 – Na divulgação a cara da “segunda” intenção estampada:

O medo de uma iminente prisão de Lula assombra os partidos socialistas e comunistas, pois ele é o seu emblema máximo para a nação, o falso “pai” dos pobres, a sua máquina de propaganda que ajudou a emparelhar o Estado para um projeto de poder alavancado pela corrupção e com a qual enriqueceram também ilicitamente. Pois, “e agora, quem poderá nos defender?”, perguntam eles. Está longe de ser o Chapolin Colorado. Tudo indica mesmo é que Lula vai tomar uma chave de cadeia.

Análise

A contradição lógica do Fator 1 e as suas constatações revelam que só podem haver outros fatores que motivem a greve geral, e são eles os fatores 2, 3 e 4. E estes têm os seguintes objetivos: mostrar os músculos atrofiados da esquerda, que não consegue mais mobilizar as massas, por isso uma greve lhe caiu muito bem, pois assim se pressiona os trabalhadores por meio dos sindicatos e com barricadas nas ruas impedindo os trabalhadores de ir e vir com a colaboração dos seus queridos Black Blocs, para assim depois dizer que “Óóóó, o Brasil inteiro aderiu a greve”; fazer propaganda massiva dos seus movimentos sociais e partidos com a atração da mídia sobre o desenvolvimento dos fatos; mostrar para o judiciário que eles podem bagunçar o Brasil caso prendam o Lula; e trabalhar na contramão do governo como oposição.

Por que mais da metade dos bispos não se manifestaram?

Em artigo divulgado hoje, o Instituto “acusa” os cardeais Dom Orani João Tempesta e Dom Odilo Pedro Scherer de serem clérigos reacionários que atendem aos interesses dos ricos, como que liderando a ala conservadora da Igreja.

Na verdade, os bispos que não se manifestaram a favor da greve são homens que sabem a responsabilidade que têm perante os seus cargos e a missão recebida para a vida da Igreja, analisaram profundamente a conjuntura atual, acompanham os ventos ideológicos que sopram sobre a nossa nação com os quais grupos oportunistas querem mais uma vez arrastar o povo como massa de manobra ao seu bel-prazer e interesse, constataram que a greve não se apresentava com uma bandeira cívica, pois era partidária atendendo aos políticos da oposição, respeitaram a liberdade de consciência de seus fiéis em matérias que competem aos leigos protagonizarem e por isso eximiram-se de qualquer convocação, observaram que na verdade essa paralisação não corresponde ao princípio ético dado pela Doutrina Social da Igreja, pois não tem o caráter de inevitabilidade (Catecismo 2435) e nem faltam disposições para debater manifestando-se democraticamente de outras maneiras sem a necessidade de gerar prejuízos ao bem comum através da parada econômica com efeito arrecadação nacional em muitos milhões num único dia útil. Em suma, eles foram responsáveis.

Porque se importam muito com seu povo é que a maioria dos bispos se manteve neutra na convocação dessa greve, uma vez que têm plena ciência do que está em jogo.

Ademais, pela Páscoa a CNBB regional do Leste I, presidida por Dom Orani, já havia se manifestado sobre o debate político da Reforma da Previdência e Trabalhista. A CNBB nacional também fez duas declarações, uma sobre o momento atual e outra por ocasião do Dia do Trabalhador. Fazendo-se assim completamente desnecessárias em termos práticos declarações individuais que não fossem para endossar sobre a Doutrina Social da Igreja em qualquer aspecto que algo não tenha ficado muito claro e precise aprofundar afim de confirmar, e não de convocar para atos politizados partidariamente que devem ser protagonizados pelos leigos.

Vimos coisas lamentáveis para escândalo dos fiéis. Religiosos que convocaram greve com fechamento de igrejas interrompendo o atendimento sacramental. Além de soar grave uma convocação com viés ideológico que sobrepuja a consciência dos fiéis. Usa-se da própria sacralidade e santidade da Igreja para benefício do movimento de natureza secularizada. Sobretudo, isso é muito mau para a comunhão da Igreja em Cristo, pois gera divisões entre o povo fiel, e também entre clérigos.

Talvez hajam oportunidades cívicas não-partidárias em que se possa saudar positivamente a luta democrática e direitos do povo, estimulando-o a manifestar-se. Mas não convém colaborar com a máquina de propaganda de quem foi a grande protagonizadora do naufrágio e do atoleiro do Brasil: a esquerda brasileira que permaneceu longos 13 anos no poder.

Quando o IHU ataca os cardeais, somando-se ao número dos que protestam ideologicamente e se valendo das palavras do articulista para dizer que eles favorecem os ricos, na verdade está querendo fazer pressão indireta sobre os bispos tentando convencê-los de que não estão alinhados com o Papa Francisco. Esse tipo de atitude lhe serve para gerar opinião pública desfavorável aos bispos que não incentivaram a greve e que não se alinham a movimentos sociais ideológicos.

No fim de tudo, tanto a greve quanto o artigo do Instituto geram a oportunidade de reiterar o verdadeiro papel da Igreja, que não corresponde a filiar-se partidariamente, e sim a defender a Doutrina Social da Igreja.

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