No sábado, dia 30 de janeiro, o soldado da PM  do Estado do Rio de Janeiro, Douglas Jesus de Oliveira de 28 anos, se suicidou enquanto estava em sua casa, e transmitiu tudo através de seu perfil na rede social Facebook.

Esse fato chocante para a sociedade é o grito de socorro de uma corporação inteira, que é maltratada pela mídia, pelo Estado, pelos Direitos Humanos e cidadãos comuns. Os nossos soldados estão doentes não é por uma coisa somente pessoal da vida deles, e sim porque nossa sociedade adoeceu. A carga deles aumentou muitíssimo com a soma de todos esses fatores ao da violência cotidiana.

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Não é mistério para ninguém que os protetores da sociedade são pessoas muito mal pagas e mal equipadas, além de serem colocadas sob fogo diariamente podendo nunca mais voltarem às suas casas. É uma guerra a qual muitos se acostumam na cidade. Mas quem está na linha de fogo sofre os traumas diários de um confronto visível somente na perspectiva do bandido e dos direitos humanos que sabemos não ser nada imparcial nos casos que ousam atuar. Imagina as condições psicológicas desse trabalho.

O direito de sonhar tolido

Quando muitos entram para um emprego que exige mais da rotina, em que a cobrança é massante e a demanda é enorme, muitos não aguentam. Preferem um outro emprego. Assim que podem logo mudam para outro que seja melhor. Porém imagine que aquele primeiro emprego fosse o seu sonho, mas suas condições de o realizar sejam sempre um fardo. Certamente é algo frustrante para muitos jovens que abraçam algumas causas com bons ideais.

Pessoalmente, imagino que diversos desses jovens que entram na PM seguem um sonho: proteger, guardar, zelar pela ordem, combater a criminalidade, e a violência contra os cidadãos, o tráfico de drogas e de armamentos. Muitos sonhos ficaram pelo caminho. Pois pare para pensar a sobrecarga da profissão contando também com os problemas familiares comuns a toda sociedade: a saúde da família, os proventos, as pessoas dos pais, filhos, esposa, as ameaças à felicidade dos seus entes por conta da profissão, as mudanças a que são expostos abruptamente pelo estilo de vida militar, etc.

O fator casuístico da corrupção

É verdade que em cada instituição humana existem seus pecados. Onde há homens, há pecados. Não estamos falando da impecabilidade de uma instituição.

O fator da corrupção não deve nos distanciar das reais necessidades de uma entidade tão importante para o bem comum da sociedade. Ao contrário, deve ser um motivo para buscarmos soluções de um bem-estar que diminua o estímulo à corrupção que muitas vezes nasce não somente da ganância, dos problemas financeiros pessoais, mas também da revolta com a rotina que se leva. A revolta tem um poder de destruição maior do que a avareza. Pois atinge diversos níveis de vida. Não só o financeiro, mas a família, as relações sociais, a justiça que se deve praticar de um modo geral.

O fardo pesado que somos enquanto sociedade

Quero dizer que uma sociedade como a nossa  é um fardo insuportável para quem tem que carregar o seu peso todos os dias. Lidar com os pecados humanos e travar o mal numa rotina onde você tem a pressão da mídia, do Estado, dos fantoches ideológicos, assomada aos problemas da vida pessoal, é exigir uma força sobre-humana de alguém de carne e osso como nós.

Existem profissões que são como o sacerdócio. Por que digo isso? Pois a missão de um sacerdote é carregar o julgo de seu povo e buscar a sua expiação através do sacrifício. Vejo na medicina, no trabalho dos socorristas do Corpo de Bombeiros e dos policiais certo “sacerdócio”. Na medicina se busca com sacrifício diário curar e salvar a vida de um paciente, assemelha-se ao ato sobrenatural da religião de salvar.

Com alguns acréscimos, o mesmo diríamos dos socorristas da sociedade e dos militares em geral que arriscam suas próprias vidas para salvar a outros. A diferença é que eles mesmos se tornam o sacrifício quando morrem tentando salvar uma sociedade em perigo ou doente.

Afinal, eles não combatem a violência para matar e gerar ainda mais violência. Fazem isso para salvar dos males a sua sociedade. E não entro aqui em casuísticas de quem entre eles possa ter se posto ao contrário do objetivo fundamental dessa profissão. Já seria uma injustiça generalizar.

Atitudes novas da sociedade se fazem necessárias

Quais são os caminhos de solução para atender a esse grito de socorro? Que tipo de atitudes devemos tomar para diminuir o fardo pesado desses profissionais? Será que temos sido justos enquanto sociedade com tais homens, muitos deles os quais ingressaram numa corporação militar para viver uma experiência heróica de vida?

O povo mesmo deve fazer pressão contra a mídia e o Estado para uma busca pelo bem-estar destes profissionais.

Em muitas culturas, ser militar é uma honradez. Para a nossa estranhamente parece um erro de escolha de vida, como se fosse uma profissão em si mesma criminosa.

Os cidadãos precisam tomar atitudes coerentes ao assistir essa degradação da vida militar pelas péssimas condições em que vivem, pois eles são a única garantia de ordem em meio ao caos anárquico da violência. Eles sonharem com uma vida profissional digna é também lutar pela nossa seguridade e estado de justiça. Todos deveriam sonhar com eles.

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