O marxismo e o conservadorismo ateu estão em disputa pela maioria cristã

Rio de Janeiro – 8 nov, 2016 – Que o marxismo cultural andava ao longo de décadas se infiltrando dentro de grupos religiosos e tentando manobrar a consciência de fiéis cristãos para o seu projeto de sociedade, disto não temos dúvidas. Inclusive a militância dependeu da infiltração em várias estruturas para poder articular a sociedade brasileira conservadora e de maioria cristã para um aparelhamento do seu organismo social.

Depois de tanta corrupção e do desmantelamento da esquerda brasileira de quase toda a infraestrutura de poder, tanto pelo Impeachment da presidente Dilma Vana Roussef quanto pelas últimas eleições, os ideólogos do capitalismo liberal têm aproveitado a onda conservadora para fixar o seu projeto de tomada das políticas econômicas.

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Ora, ambos, o marxismo e o capitalismo liberal, têm aspectos condenáveis pela Doutrina Social da Igreja. Aquele tem a condenação de toda a sua filosofia política, a começar pela sua raiz atéia, materialista e coletivista que defende um super-apoderamento do Estado em detrimento do indivíduo; e este por não buscar princípios morais para regulamentar o mercado econômico permitindo uma forte abertura a vícios humanos expondo-o a corrupções do sistema, por sua vez estabelecendo-se sobre uma espécie de vácuo ético.

Entre uma condenação e outra pela doutrina da Igreja, qual seria a diferença? A do comunismo marxista tem por parte da crítica cristã-católica a abjeção total de sua doutrina e do seu sistema político – entenda-se, o socialismo e o comunismo -, que está em oposição radical aos valores evangélicos; e a do capitalismo liberal se dá por causa do modo de operar o sistema, e não devido ao capitalismo em si.

É verdade que o maior inimigo político da fé é o marxismo porque a sua doutrina é intrinsecamente anti-cristã, ou seja, de raiz, de princípio. Ora, mesmo não abrindo defesa aos valores morais para uma economia mais justa, o capitalismo liberal também o tem como inimigo. Isso aproxima facilmente os cristãos, que combatem a militância esquerdista, dos conservadores ateus, o que é natural dadas as circunstâncias. Porém cessada a força da esquerda, depois de ser refutada e expurgada, estando os cristãos e os conservadores ateus lado a lado nesse embate, seria um erro grave permitir que a mentalidade liberal capitalista crescesse às nossas custas logo após tanto trabalho para impedir o avanço da outra espécie de materialismo.

Em 13 de maio de 2007, o Papa Bento XVI lançou forte crítica ao liberalismo dizendo numa Conferência do Celam: “São reais apenas os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos? Este é precisamente o grande erro das tendências dominantes no último século, erro destrutivo, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como dos capitalistas. Falsificam o conceito de realidade com a amputação da realidade fundamental, e por isso decisiva, que é Deus. Quem exclui a Deus do seu horizonte falsifica o conceito de ‘realidade’ e, em sua consciência, apenas pode acabar em caminhos errados e receitas destrutivas”. (…) “A economia liberal de alguns países latinos precisa ter presente a igualdade, pois seguem aumentando os setores da sociedade que enfrentam cada vez mais uma enorme pobreza” (Link).

Está aí a posição doutrinal da Igreja sobre essas duas forças que têm levado os ventos da história a soprar favoravelmente ao materialismo suprimindo o trascendente do mundo e fazendo o homem estar em oposição ao sentido último de sua existência.

Se estamos na luta por mudar os rumos da nossa nação, não podemos deixar um erro de um lado para virmos a cair noutro buraco. Desta maneira permaneceremos prorrogando os prazos do ordenamento social, do progresso econômico e da implementação de uma justiça social que tanto ansiamos para diminuir as desigualdades, pois esse é um processo humano e social integral, em que se nos inclinarmos a qualquer espécie de reducionismo nas relações econômicas excluindo aspectos antropológicos fundamentais, estaremos vivendo um falso progresso. Qualquer tendência que nos leve ao materialismo e à renúncia da dignidade humana será rejeitada pelo elenco dos valores cristãos que estão em defesa da humanidade no seu sentido pleno.

Sei que o artigo serve muito mais como um alerta do que como um grande aprofundamento dessas questões. Entretanto, fica o chamado para irmos mais além na compreensão dessas matérias tão importantes para vivermos de maneira concreta e cidadã a nossa fé que não nos aliena da história, mas coopera para a sua santificação.

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