A Reforma: a doutrina sob controle e uma Igreja rejuvenescida

Rio de Janeiro – 20 out, 2016 – Quero começar esse artigo com uma notícia que utilizarei como uma parábola para a minha crítica. É algo que vinha refletindo desde algum tempo atrás e que, ao ver este fato no noticiário, me inspirei a pôr minha análise eclesiológica e pastoral em forma escrita com o intuito de estimular a reflexão sobre uma Igreja que experimenta atualmente no núcleo de suas comunidades uma espécie de reforma espontânea.

A notícia: uma parábola das relações internas de uma Igreja em reforma

Hoje a ministra Carmen Lúcia, que preside o STF, esteve no Fórum Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) sob o lema: ‘Fórum Aner 30 anos – Reinvenção Relevância’. O encontro foi realizado no  Auditório Philip Kotler da ESPM, em São Paulo. O fórum conta com a presença de executivos e criativos do mercado como Walter Longo, presidente do Grupo Abril, Joanna Monteiro, VP  de criação FCB Brasil, Guga Ketzer, presidente da LDC, e Eco Moliterno, Executive Creative Director da Africa.

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Durante suas colocações a ministra deu um recado claro e contundente à mídia e ao Estado: “Antes a censura vinha dos militares, depois passou a vir do politicamente correto, e agora ela vem do próprio cidadão que patrulha outro cidadão”. Com isso, a conferencista enfatizou: “O Estado e o judiciário precisam mudar diante disso”. Ela continuou insinuando que essa patrulha é a democracia no seu exercício mais pleno e que não tem como controlar isso.

A crítica: a Igreja frente ao indivíduo de fé

Estas palavras da ministra podem ser aplicadas de princípio para a realidade não só secular, mas também religiosa.

Há algum tempo venho conversando com clérigos e leigos de que os tempos mudaram para a própria Igreja, quando a pregação não é mais palco de manipulações anti-católicas, as informações doutrinais estão nas mãos dos fiéis antes que falemos qualquer coisa, alguns são capazes de serem mais profundos em algumas matérias do que teológos que se ocuparam de viver sob as facções ideológicas e a se esconder em cátedras portentosas.

Os jovens avançam na evangelização e num protagonismo criativo para serem verdadeiros apologetas da fé, não aceitam o que seja mais ou menos e o politicamente correto – não se contentam com isso. Alguns chegam a pensar ser traição à Igreja o silêncio e reclamam de seus pastores a profecia como atuação pastoral imprescindível.

Quando um clérigo, diácono, padre ou bispo, por exemplo, se posicionam contrariamente à sã doutrina, a reação de censura dos fiéis é imediata, quase que instantânea, e com uma força extremamente multiplicadora carregando juízo do vacilante e a afirmação de fé em paralelo. E eles não tem medo pois se sabem garantidos pelo Magistério eclesiástico milenar, pois lêem e vasculham tudo. Ir contra eles nesse sentido é ferir o próprio ser da Igreja chamada a proclamar o Reino de Deus com fidelidade.

A tecnologia e o acesso à informação se tornaram um flagelo para quem tenta se sobrepôr a verdade lhes dando grandes prejuízos em seus intentos. De nada mais serve os belos discursos da demitização aos fiéis. Para nada mais serve uma teologia fundamentada num historicismo arcaico para o novo tempo no qual o discurso trascendente e metafísico é recobrado enquanto naufraga o modernismo e o progressismo. Eles ignoram tais coisas não por ignorância, mas por saberem o resultado negativo destes cálculos.

A consciência dos leigos está a frente de muitos que pensam ser suficiente a palavra ou o lugar de autoridade para construir pastoreio. A concepção ainda que inconsciente de autoridade que impera entre os fiéis é a fusão entre anúncio, fidelidade ao magistério milenar e a coerência pastoral entre ambos.

Não são fiéis protestantes que rejeitem a autoridade eclesiástica para viver uma fé subjetiva, nem anarquistas que afrontem aqueles que são constituídos para tomar-lhes o poder. Ao contrário, eles querem pastores, querem ser conduzidos, mas não admitem ser enganados e que suas inteligências sejam burladas.

Não sei se as instituições eclesiásticas se deram conta disso em sua consciência pastoral. Isso vale para a sua alçada universal, nacional e regional. Os membros da alta hierarquia da Igreja, as conferências, as dioceses precisam levar isso à reflexão pastoral.

Por causa de alienações frente ao indivíduo de fé, ao pensar que eles não sabem quando na verdade sabem, pode entrar em jogo a credibilidade e pôr em dificuldade a aceitação da autoridade por duvidar do seu caráter de objetividade. Essa desconfiança vem estabelecendo uma enorme seleção de referenciais nos últimos tempos, o que revela um quadro de crise na autoridade moral da vida pastoral da Igreja.

A consciência dos fiéis irá reconfigurar o modus operandi do sacerdócio pastoralmente, não a cabo de um modelo ou protótipo desenhado de padre. E sim da demanda dos leigos frente às suas reais necessidades num mundo que persegue a sua fé e põe em xeque os valores, a família, a vida, a tradição. O sacerdotes desde então passarão a ter impostas a carga do seu povo, que os vê como lugar de homologação e de afirmação segura de sua fé, isto é, se percebê-lo enquanto homem  da verdade. Aos sacerdotes caberá a humildade de aceitar esta carga, tomar o jugo, e carregá-lo como cruz salvífica do povo repetindo-se: “Basta que um só morra pelo povo”.

Ainda que se lutasse internamente contra um tipo sacerdotal, isso não vem de uma pessoa, mas de um povo que clama por socorro e que grita às vezes antes mesmo dos pastores: “Eis o lobo, eis o lobo”.

Se os pastores forem lobos, os fiéis julgam seus atos e afirmam a verdadeira fé. Se os pastores forem fiéis, eles lhes servem de homologação, para carregar o seu jugo e morrer por eles como Alter Christus.

Talvez não prevíamos que a tecnologia de informação fosse tão revolucionadora para as relações eclesiais e uma reconfiguração do sacerdócio a Cristo. Isso tudo pode ter sido subestimado no princípio. Agora precisa ser admitido como algo revelador das ânsias dos fiéis e disciplinador da ação pastoral empurrando à fidelidade.

De fato, não é um bom tempo para pessoas má-intencionadas dentro do seio da Igreja. Na atualidade permanecem apenas duas opções para estes: fazer exame de consciência para converter-se ou será preciso que “pegue o seu banquinho e saia de mansinho” de cena. No caso de alguém ficar com a última opção, dizemos em coro solene: “Tchau, querido”!

Comentários

Comentários

1 comentário sobre “A Reforma: a doutrina sob controle e uma Igreja rejuvenescida”

  1. Verdade Pe. Usaram CEBS para apoiar um partido que condena o sagrado projeto familiar e cristão de nossa Nação .Que colocou marxismo. TL como bandeira anticristã. Deus nos deu a Graça de lutarmos até o fim

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