Cidade do Vaticano, 05 jul 2016 (Ecclesia) – O jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, apresentou hoje um “testemunho inédito” sobre o sobre plano nazi para sequestrar Pio XII durante a ocupação de Roma pelas forças de Hitler (1943-1944).

A edição italiana do periódico publica na íntegra um texto de Antonio Nogara (1918-2014), filho de Bartolomeo Nogara (1868-1954) – diretor dos Museus do Vaticano entre 1920 e 1954.

O documento refere que numa noite do inverno de 1944, entre finais de janeiro e começo de fevereiro, Bartolomeo Nogara foi surpreendido por uma visita de “monsenhor Montini” – Giovanni Battista Montini -, o então substituto para Assuntos Correntes na Secretaria de Estado do Vaticano, que viria a ser o Papa Paulo VI (1897-1978).

“Entrando rapidamente e fechando imediatamente a porta nas suas costas, disse-me que tinha de se encontrar urgentemente com o ‘professor’”, relatava Antonio Nogara, que então vivia com o seu pai no Palácio Apostólico.

Apenas no dia seguinte Bartolomeo Nogara contou à sua família, pedindo “segredo absoluto”, que o embaixador do Reino Unido, Francis d’Arcy Osborne, e o encarregado de negócios dos EUA, Harold Tittmann, tinham alertado a Santa Sé para “um plano em estado avançado do Alto Comando alemão” para a captura e deportação de Pio XII, com o pretexto de colocar o Papa em segurança, “sob a alta proteção” de Hitler.

Nesse caso, as forças aliadas lançariam uma intervenção para impedir essa operação, incluindo o desembarque de tropas a norte de Roma e o lançamento de paraquedistas.

“Esta preciso, portanto, preparar quanto antes um refúgio secreto onde o Santo Padre não pudesse ser encontrado, durante o tempo estritamente necessário – dois ou três dias – para a intervenção militar”, escreveu Antonio Nogara.

O local encontrada pelo seu pai, na companhia de monsenhor Montini foi a ‘Torre dos Ventos’, junto à Biblioteca do Vaticano, propondo como alternativa locais anexos e ligados à Basílica de São Pedro, “incluindo os subterrâneos”, soluções a que não foi necessário recorrer.

Antonio Nogara recordava que o plano de Hitler, “há muito conhecido pelo Vaticano”, encontrou oposição por parte da diplomacia alemã e só não teria avançado graças a tomadas de posição das autoridades diplomáticas germânicas em Roma.

O Papa Pio XII (1876-1958) foi declarado “venerável” por Bento XVI em dezembro de 2009, o primeiro passo em direção à beatificação.

Pio XII, assegurou o agora Papa emérito, “agiu muitas vezes de forma secreta e silenciosa, porque, à luz das situações concretas daquele complexo momento histórico, ele intuía que só desta forma podia evitar o pior e salvar o maior número possível de judeus”.

Na radiomensagem do Natal de 1942, Pio XII alertou para a situação de “centenas de milhares de pessoas que sem culpa nenhuma da sua parte, às vezes só por motivos de nacionalidade ou raça, se veem destinadas à morte ou a um extermínio progressivo”.

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Fonte: Agência Ecclesia

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