Entre a Cruz e a Espada: Mais Deus, menos ídolos!

Crédito: Produção Fábio de Melo/Divulgação. Padre Fábio de Melo.
Crédito: Produção Fábio de Melo/Divulgação. Padre Fábio de Melo.

Ao ver o título, quem acompanhou alguns fatos da atualidade envolvendo uma figura importante da mídia católica, sabe a que estamos nos referindo. Aos que ainda não sabem, explico.

O padre Fábio de Melo fez uma declaração sobre a situação do Oriente Médio e as guerras havidas lá em nome de Deus, dizendo em breve post: “Menos Deus e mais responsabilidades humanas”. A frase assim sem aprofundamento criou um grande confusão entre os católicos a ponto de mais tarde ele ter que se explicar em outros posts.

Em primeiro lugar, ninguém pense que eu queira detonar aqui o meu irmão sacerdote. Quero, sobretudo, dar uma versão crítica do que ele disse. É verdade que já tiveram outras coisas polêmicas envolvendo a sua pessoa, o que deve lhe chamar a atenção para o fato de redobrar o cuidado com as palavras, com as quais ele sabe lidar muito bem na maioria das vezes. Porém, todos tem seus dias infelizes, e quero acreditar nisso. E não pretendo fazer juízos temerários.

Já acompanhei diversos trabalhos dele. A direção espiritual, por exemplo, que é transmitida pela Canção Nova aos seus telespectadores, e é profunda e proveitosa à fé, e certamente muitos são ajudados ali. Sobre sua figura artística muitos elaboram críticas, alguns só para falar mal, outros até por preocupação e temendo por ele estar no meio de um mundo extremamente complicado e que costuma fazer perder até os bons: “Quem está de pé, cuidado para não cair” (I Cor 10,12).

Em segundo lugar, ocupo-me de sua declaração. Ele tentou emendá-la mais de uma vez nas redes sociais. Na minha opinião, como a coisa se complicou demasiadamente, achava mais fácil um pedido de desculpas e uma reavaliação para depois, aprofundado o pensamento, dizer diferentemente.

Eu considerei as palavras dele para refletir melhor sobre isso. Cheguei a seguinte conclusão: ora, sem dúvida alguma, o problema do Oriente Médio jamais poderia ser Deus. O problema de lá na verdade são os homens. E alguém poderia dizer: “é que o nome de Deus é usado para justificar atrocidades”. Sim, entendo. Digo-lhe com toda certeza esse não é o verdadeiro “nome” de Deus sequer, não é Deus mesmo. Na verdade são ídolos de Deus, conceitos equivocados da divindade, e isso, portanto, é um problema do homem, uma questão antropológica, o que certamente o padre quis expressar de que o homem se escusa de suas culpas e responsabilidades utilizando um falso conceito de Deus.

Com isso que seguimos aprofundando, espero fazer entender o que se afirma aqui no título de nossa postagem: “Mais Deus, menos ídolos, menos bezerros de ouro”.

Até mesmo sobre o Deus verdadeiro pode-se fazer ídolos e constituir uma religião com base numa antropologia má, ou equivocada, que idolatra os próprios ideais humanos e temporais. Um católico apostólico romano pode fazer um ídolo para si do seu próprio Deus a partir de um visão antropológica cheia de enganos e erros que jamais seriam compatíveis à divindade – entenda-se, não estou falando de imagens de gesso e madeira; falo de idéias e conceitos contraditórios a Deus e que carregam o seu nome.

O nome da divindade é usado, sendo que o entendimento é alienado da verdade sobre o mesmo Deus acreditado. Isso constitui uma falsa imagem de Deus, um ídolo, e portanto, um falsa religião cheia de antropomorfismos enganosos que fazem distanciar-nos do Deus verdadeiro e não aproximar- nos dele.

O Oriente Médio tem excesso não de Deus. Na verdade, há uma grande contigência de ídolos e “bezerros de ouro” que ordenam suas guerras, e não pode ser realmente Deus quem as justifique ou as recomende. Os conceitos humanos (antropomorfismos) são o que criam esses falsos deuses, estes deuses da guerra.

Temos no Oriente uma falta muito grande do Deus verdadeiro. Então, o que devemos pedir ao Senhor para os que lá estão é: “Mais Deus”. E que Deus? O Verdadeiro, o Santo, o Justo, o Príncipe da Paz, o Supremo Amor! Roguemos para que haja menos falsos deuses, ídolos e falsas religiões como plataforma para planos não de transcendência do homem e sim de estabelecimento de interesses humanos na história secular que visam somente uma ordem temporal imposta à base da violência.

Em suma, no sentido pensado, Padre Fábio disse algo próximo do razoável. Na letra ficou inexprimível seu raciocínio tanto que teve que explicar diversas vezes. Talvez a palavra “ídolos”, “idolatria”, “falsos deuses”, “falsas religiões” lhe ajudariam a compôr o significado pleno do intento de suas palavras, ao menos por mim imaginado. A verdade é que ele ficou de fato entre a “Cruz” e a “Espada”, e no caso, espada cai muito bem à nossa conclusão enquanto é o símbolo dos falsos deuses do Islã retratado por muitos fatos no mundo de hoje.

Para o estimado sacerdote, ficou difícil de se sair daí. Ser figura pública não é fácil quando se trata da verdade.

Fica então o convite: oremos pela santificação do clero e pelo exercício de seu ministério num mundo cada vez mais confuso, para que sejamos esclarecidos da verdade sobre Deus, o homem e o mundo.

Pe. Augusto Bezerra,

03 de julho de 2016.

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Comentários

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1 comentário sobre “Entre a Cruz e a Espada: Mais Deus, menos ídolos!”

  1. Sua benção padre Augusto Bezerra,não quero de forma alguma que você pense,que sou contrário ao seu raciocínio,mais eu acredito nosso querido Padre Fábio de Mello,se referia ao DEUS,criado por aquele que acreditam que se matando e matando pessoas, alcançaram o reino do céu,pessoas essas que na verdade nada mais fazem é propagar o ódio e a discórdia,entre as pessoas,e fazem uma espécie de lobotomia nas pessoas,ná realidade eles querem é maquiar. o ódio entranhado nos corações de lideranças diabolizadas,e inserida ná mentalidade dos leigos,como se fosse a vontade de Deus(esse criado por eles claro) e assim conseguem propagar a violência contra tudo e contra todos. Eu acredito que você padre Fábio,como tantos outros sacerdotes e líderes religiosos,catolicos apostólicos romanos,como também sou,segue o exemplo de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO,que ná maioria das vezes falava em parábolas,ai cabe eu como tantos outros leigos buscar entender o que aquelas palavras querem dizer,buscar uma boa meditação e um aproveitamento espiritual que contém nelas… sua benção e fica com DEUS…

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