Artigos, Crítica, Notícias

Por um cristianismo sem promiscuidade! – Carta aberta

images (56)Dedico-me nestas poucas palavras a um desabafo. Considere como uma carta aberta vinda de um coração sacerdotal com intuito de fazer vislumbrar o estado das coisas atualmente. Os fiéis falam do seu coração e os pastores por amor e para edificar devem falar.

Tempos difíceis esses que vivemos, hein!? Porém, tempo ideal para uma vida santificada. Quantos ministros de Deus já não se depararam em qualquer canto por aí do mundo com exigências infundadas e que vem de um profundo relativismo, uns por não crerem, outros apenas por uma ignorância transitória, acerca das coisas da fé.

Digo sem receio de ser mal interpretado: como é feio e incabível exigirem por aí uma infidelidade da Igreja a Cristo, ou dos sacerdotes a sua esposa, a Igreja.

Imaginem um pai de família indo a uma roda de amigos e no meio da farra os mesmos começarem a ficar com várias mulheres, e de repente ele começar a ser estimulado a fazer o mesmo e a trair sua mulher, e assim depois de tanta pressão venha ele cair em infidelidade. Exigir da Igreja e dos sacerdotes um evangelho novo ou uma doutrina nova ou um comportamento incondizente é como ser desse grupo instrumentalizado pelo mal para destruir uma família constituída.

Respeitem, irmãos, a família de Deus. Peço-lhes, depois de esclarecido tudo em minúcias e entendida a posição da doutrina apostólica, não exija a infidelidade nem da Igreja nem dos sacerdotes.

Muitos transferem suas expectativas pessoais para a Igreja, como se elas fossem legítimas perante a fé necesariamente somente por serem suas. Sem querer fazer juízos temerários, é notável que o querer pessoal se sobrepôs na vida de muitos ao querer de Deus, e esqueceram-se que conversão não se dá à própria vontade, porém a de Deus. Como a Deus não se poderá converter jamais à vontade pessoal, inconscientemente ou conscientemente as pessoas tentam converter a Igreja a si. E muitos não percebem como é prejudicial à salvação eterna de uma multidão de fiéis esse modo de ver as coisas.

De que adianta conquistar a Igreja para sua vontade, se tu e ela vierem a se perder no fogo do Inferno? – Isto é, para aqueles que crêem, porque para os que não crêem, isso realmente não faz o menor sentido.

Paremos para pensar. É justo que para termos o que queremos da Igreja levemos os pastores a perder centenas ou milhares de almas para o Céu? É justo aceitarmos o errado por certo, e o certo como descontemporização de uma Igreja perdida no tempo, só por uma luta associativa ou uma dita linguagem inclusiva?

Não sou obrigado a trair minha esposa, nem minha esposa é obrigada a trair a Cristo que está em cada sacerdote.

Peço que compreenda que não lhe recusamos, no caso, a sua pessoa, mas recusamos as condições ou a proposta de que para fazermos algo por si devamos renunciar o fundamental, nossa fidelidade a Cristo. Nem por isso, deixará de ser amado, querido, desejado entre nós aquele que anseamos que ajunte-se ao grupo dos discípulos para conquistar juntos o Céu.

Sabe, vemos por aí um discurso de esquecimento, ensopado numa espécie de amnésia, e sobre o que!? O Céu! A Igreja ela não se limita ao espaço institucional e o seu objetivo final não é ela mesma no seu sentido material e imanente, mas a Nova Jerusalém, a subida ao Reino Celeste. Tira isso! Tira! E lhe pergunto: “Para que servirá a Igreja?” Pergunta o Mestre aos discípulos: “De que servirá o sal se não para salgar?” (Mt. 5,13). Contudo, Ele promete: “As portas do Inferno não sobrevalecerão sobre a minha Igreja” (Mt. 16, 18). Ou seja, este sal não se tornará insosso, e sempre haverá a “Igreja de Cristo”.

E, por último, peço que entendam, a Igreja não é dos sacerdotes, não é dos bispos, não é sequer de toda a sua conjuntura hierárquica, pois diz Jesus: “A minha Igreja”. Ele que tem tanto cuidado em dizer “Pai Nosso”, “Pão Nosso”, diz: “A minha Igreja”. Disto decorre o depósito. Como foi entregue? Como será devolvida?

Aos sacerdotes cabem, queridos fiéis, serem Cristo para a Igreja, e não serem mais eles mesmos para si, para a Igreja ou para o mundo, como diz o apóstolo Paulo: “Já não sou mais eu que vivo, mas Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Nós, portanto, não podemos ser uma coisa estranha a Cristo e ao seu Evangelho. E é isso que significa o que diz João Batista: “Convém que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Contudo, sempre haverá quem queira ser maior que o Mestre. Se quisermos obedecer, e fazer Cristo crescer, devemos padecer: “O discípulo não está acima do seu Mestre, nem o servo acima do seu Senhor. Basta ao discípulo ser como o seu Mestre, e ao servo, como o seu Senhor. Se o dono da casa foi chamado Belzebu, quanto mais os membros da sua família” (Mt. 10, 24-25).

Rezem pelos sacerdotes para que eles metam no céu com seus esforços apostólicos uma multidão de almas, e o inimigo de Deus trema pela obra de Cristo realizada. Deixem-nos continuar o trabalho de assaltar o mundo para encher o Céu, mesmo com tantas tentações e inúmeros desafios, e orem por nós. Insisto, não pouco, mas muito, orem por nós!

Pe. Augusto Bezerra

PSX_20160801_125713

Comentários

Comentários

2 Comments

  1. Lusineia

    Profundo !

Comments are Closed

Theme by Anders Norén

.....

Em breve teremos novidades em nosso canal. Estamos integrando nossas mídias e aprimorando nossos serviços para o apostolado virtual. Inscreva-se clicando na foto do canal e fique por dentro.