Você é feliz!? Se for, então eu quero o mapa…

krasnoÉ fácil responder a esta pergunta? Antes que responda, o que é a felicidade pra você? Nesta pergunta é que está o ponto central da nossa conversa, pois se você é feliz você alcançou e já pode nos mostrar o mapa do tesouro que há tanto tempo brigamos com o universo inteiro pra possuir em nossas mãos.

Se você me disser que a felicidade está em ter uma família, Bernardo então não é feliz pois não tem uma família, e vive só numa casa com seus livros. Mas, se diz que a felicidade consiste em ter sempre muitos vínculos afetivos, uma multidão de amigos e pessoas ao redor, digo então que José não é feliz pois é um monge eremita no meio do deserto, e é daí que pergunto: “O que o leva a estar lá então se não é feliz?” Mas sabemos que deve ser bem ao contrário, pois se está lá algo o satisfaz e lhe dá realização, saciedade, algo lhe corresponde de maneira mais plena, por isso lá fica em paz sem que nada o desassossegue.

Vejamos bem portanto: a felicidade não pode ter o seu centro num elemento acidental, senão não há consistência e não é bem felicidade de que falamos, mas compensação e satisfação transitória, de natureza material ou meramente humana. Por exemplo, minha felicidade não pode estar numa marca de carro, porque logo ela deixa de ser tão valiosa e significativa frente a uma nova marca do mercado, e a sua felicidade se transfere para esta última que saiu e já me encanta os olhos me fazendo esquecer da primeira. Então sua dita “felicidade” não é segura, estável e permanente, mas é “como palha que o vento leva”, uma felicidade sem direção que a qualquer momento se pode roubar mesmo com o melhor “seguro” do mercado.

Para ser duradoura, permanente, ela não pode ser relativa, ou seja, mudar seu eixo de referência a todo instante. Um só deve ser o eixo de referência de nossa felicidade, que seja permanente, para sempre, dure mais que a própria vida terrena. Ora isso se se quer na vida uma verdadeira paz, longa e permanente, que assim notamos provir de um homem reconhecidamente feliz. Mas tudo nesse mundo passa, é breve, acaba, tem fim, é mutável, se perde, “a traça e a ferrugem corroem”, então nesse mundo o que pode me garantir a felicidade?

Daí damos o salto que precisamos, o único que é permanente e que não muda é Deus, e se a nossa vida dele veio é lógico que todo progresso da nossa existência neste mundo deve encontrar repouso e continuidade (e não contradição, oposição) nele para ter a devida satisfação e a tão desejada felicidade.

Se somos homens religiosos, cristãos, podemos sem dúvida afirmar: o que nos traz a felicidade portanto é o “significado” da existência que se originou em Deus. Notem bem a palavra significado! Qual é o seu significado? Tal como buscamos de uma palavra, busque o seu e responda.

Se perdemos a Deus, somos como um corpo errante navegando entre as constelações sem saber de onde exatamente vimos e pra onde vamos, esperando a morte, o último dia em que a angústia de não saber terminará, que faz bem lembrar o filme estreado em 2013 e intitulado “Gravidade” quando os astronautas lutam por não se tornarem mais um corpo errante pelo espaço e tentando a todo custo voltar para a Terra de onde vieram, sobreviverem e não terem um destino cruel na solidão do espaço.

Mas as coisas acidentais e superficiais desta vida nos servem para a felicidade? Em parte, se corroboram para uma busca essencial da felicidade, mas se é contraditória ao essencial, não. Ora, se somos cristãos, a nossa felicidade está em Deus, se as coisas acidentais me fazem esquecer a Deus ou sua vontade que deve ser realizada como um programa de vida para a felicidade real, elas me afastam da verdadeira paz. Aqui está nosso eixo de felicidade e significado, o próprio Deus.

Imaginem uma máquina funcionando a pleno vapor, numa engrenagem perfeita. De repente eu troco uma peça do motor que é 100 vezes menos potente que a anterior. Logo toda máquina começa se sobrecarregar, esquentar, peças a cair, elementos se fundirem, engrenagem começar a engasgar constantemente, parafusos pularem para fora, rodas caindo sem dentes, até que uma forte explosão acontece, e se perde tudo.

Deus é, com toda imprecisão da palavra, a “peça” anterior capaz de fazer funcionar bem toda a existência com plena potência, fazer com cada elemento da vida seja vivido adequadamente, de maneira justa e adequado cada qual a potência (ou seja, o querer) do próprio Deus. Muitos pensam que a felicidade em Deus é tolimento desta vida, essa sensação vem dos sacrifícios exigidos para obter a verdadeira felicidade, que depois de superados não queremos nada mais.

Muitos trocam a Deus pela felicidade fácil que na nossa sociedade moderna recebe alguns nomes: consumismo, hedonismo (culto ao prazer), assim como as dependências afetivas e materiais, estabelecimento de ideologias sem Deus e muitas outras situações compensatórias que semelhante a essa peça 100 vezes menos potente levam a falência de todo organismo da nossa existência.

Por fim, se Deus é nossa felicidade, como cristãos que somos, respondamos então: como anda meu relacionamento com Deus? Quem é Deus para mim? O que ele mudou na minha vida? Qual é o meu caminho? Agora sim, respondamos: “Sou feliz?” Ainda dá tempo, busca, corra atrás, tal como filho pródigo, vá desde agora para os braços ternos e carinhosos de sua felicidade, o nosso Deus.

 

 

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