"Venha a fé os sentidos completar"!

05Como cantamos na Adoração ao Santíssimo Sacramento: “venha a fé os sentidos completar”! Deus na Eucaristia só vemos se o cremos. Os olhos desta nossa pobre carne não acrescentam tanto a nossa fé. Muito mais que os olhos, o encontro, a experiência com a Eucaristia diária, a adoração, o serviço, a contemplação, e tudo isso confiando no que nos garantiu Jesus: “tomai e comei, isto é meu corpo” (…) “tomai e bebei, isto é o meu sangue” (…), nos permitirão ver  melhor a Deus escondido na Eucaristia.

Imaginem um desenho numa parede escondido por muitas camadas de tinta que ao longo do tempo foram ali se fixando por numerosas reformas, o desenho está na parede, embora oculto, escondido. Mas se tiramos uma a uma as camadas ali presentes redescobrimos o que fora escondido. Por analogia, e imperfeitamente, assim é o mistério da Eucaristia, escondido, mas presente.

A palavra mistério designa a algo que não se pode desvendar totalmente, algo velado, algo oculto, além de nós mesmos e nosso entendimento, fazendo lembrar as palavras do anjo a Santíssima Virgem: “Para os homens isto é impossível, mas para Deus nada é impossível” – ou seja, Maria Santíssima se via diante do mistério, do incompreensível. O mistério eucarístico, assim como o desenho escondido por diversas camadas de tinta. Estas muitas camadas se descamam  pelas práticas cotidianas de amor e devoção a Eucaristia, e se percebe melhor o mistério.

A EUCARISTIA É SACRIFÍCIO

É a presentificação (tornar presente) do sacrifício do Calvário realizado na própria carne e no derramamento do sangue de Cristo, o Cordeiro Pascal (sacrifício cruento, com derramamento de sangue) nas espécies do Pão e do Vinho (sacrifício incruento, sem derramamento de sangue). O sacrifício acontece uma vez por todas, ou seja, Jesus não precisa se sacrificar outras vezes, por isso usamos o termo “presentificação” (tornar presente) que significa trazer algo de um outro tempo que não é o nosso para o presente, e isto é possível pelo Espírito Santo, e é isso que chamamos de “memória”, que não é mera lembrança, mas a própria vivência atual e presente do sacrifício já acontecido historicamente no passado.

Como se sacrifica de uma vez por todas, o sacrifício agora é sem derramamento de sangue (incruento) nas espécies do pão e do vinho, pois é o mesmo já acontecido no Calvário, não precisamos mais de sangue de animais, de cordeiro, ou de outro ser qualquer, pois o de Cristo já se derramou de uma só vez. Assim sendo o sacrifício incruento que celebramos sobre os altares é uma janela para o sacrifício cruento de Cristo lá no Calvário. – “Para os homens isto é impossível, mas para Deus nada é impossível” – Fé!

A EUCARISTIA É REFEIÇÃO

Temos nela a reunião dos filhos de Deus para a celebração festiva do Cordeiro (banquete nupcial) em que com alegria celebramos a vitória triunfal de nosso amigo, o Cristo, que fazendo-se irmão e servo cancelou nossos pecados derrotando a morte e a condenação. Isto para nós é motivo de festa e alegria. A Assembléia de Cristo deve ser o lugar da alegria sobrenatural e da comunhão plena. – “Quando for elevado da terra atrairei para mim todo ser”. Somos atraídos para juntos dele, afim de pela Eucaristia sermos um só corpo.

Jesus instituiu o sacrifício incruento da Eucaristia na Última Ceia com os discípulos enquanto fazia a refeição com eles. Que nosso amor seja sincero a Cristo, e não tenhamos no coração os pecados de Judas, ou a ingenuidade de Pedro em não reconhecer suas próprias fraquezas e pedir auxílios a Deus. Mas nos assemelhemos ao apóstolo João que do Cenáculo (lugar da Última Ceia) até o Calvário persevera acompanhando os passos de Cristo com Maria, e não sairemos em nenhum momento desta grande Assembléia que canta, festeja, e celebra acercando uma Cruz vencida e um Sepulcro Vazio igualmente vencido pela força do Deus Vivo e Verdadeiro.

A EUCARISTIA É FONTE DE CONVERSÃO: EUCARISTIA E VIDA

Quando nos aproximamos da Eucaristia devemos produzir um exame de nossa vida para ver se a nossa comunhão expressa publicamente aos olhos dos irmãos tem condizido com o que vivemos ou desejamos como programa de vida para nós. Se há conversão, desejo real de fazer em tudo a vontade de Deus (intenção), as condições materiais e humanas de viver o propósito de emenda (propósito de mudança), e estando livres de pecados graves, a comunhão é verdadeira e produz grande eficácia para a vida cristã. Se não há nada disso, a comunhão eucarística torna-se uma contradição, pois a comunhão que acontece é entre o homem e Deus de modo real. Nesse sentido a Eucaristia ao mesmo tempo que é um convite a todos, sem exceção, só é um direito quando a Deus damos o direito de mudar a nossa vida, ao entrarmos em comunhão com sua vontade, quando nos deixamos ser perdoados e procuramos ardentemente não ser mais os mesmos.

A Eucaristia não é um mero ato de inclusão social, é “comunhão com Deus” que diariamente devemos buscar que seja ela verdadeira. Podem receber dela os que estão em comunhão com Ele e buscam a sua renovação pela confissão sacramental quando se encontram em situações de pecados graves. Em síntese, Eucaristia e Vida não se separam, pois recebê-la não é um mero formalismo religioso, nem o recebimento de um alimento qualquer, nem um mero simbolismo, nem uma encenação, ou mero ato de inclusão, pois a comunhão eucarística começa com o que se vive. Difícil de se ouvir e aceitar, mas é que para isto é preciso humildade e fé, o que já é louvável aos olhos de Deus. É preciso ver se o que nos afeta este ponto de vista não é nosso orgulho ou falta de fé.

Ajude-nos e sê nosso Remédio, ó doce Eucaristia!

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