O tribunal contra Deus instaurado pelo homem moderno

PSX_20160511_154257Desculpem-me o intrigante título que, politicamente, não está nada correto, mas resolvi abandonar por um pouco a abordagem otimista para constatar os fatos de modo realista. Lamentavelmente o homem tem feito Deus jazer como um cadáver exposto a público e ridicularizado pela cultura, pela sociedade, pela reinvenção da moral, pelos costumes, pelo insano e corrompido exercício da política. E novamente os gritos reverberam na história: “Crucifica-o, e soltem a Barrabás” (Lucas 23, 18). Sim, assim gritam nas nossas praças, que ele morra e silencie a sua Palavra, enquanto o homem, que se diz aprisionado pela verdade, fale a si mesmo o que comodamente possa ser ditado como verdade.

Ora, a verdade, que devia libertar, torna-se objeto de ódio dos homens, os quais passam a ser amantes de si mesmos, e torna-se verdade somente e tudo que lhes apraz. Angustiados com a exigência de um discipulado da verdade, que violenta o interior e, além disso, move o homem à transcendência, preferem entregar-se ao mal que exige tão pouco esforço para ser executado, talvez nenhum. E, tentam se libertar do peso da consciência legitimando a mediocridade como verdade. E cárcere para todos os que não são medíocres, crucificados sejam todos os que incomodam denunciando a mentira das suas vidas e proclamando toda a verdade. Tudo é ignorância. E Cristo da Cruz exclama pelos séculos: “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lucas 23, 24).

“O pai da mentira é o demônio” (João 8, 44). Se o homem contemporâneo importa-se loucamente em tornar legítimo todos os contrário da verdade, pois ela o incomoda, e lhe cria correspondências morais (melhor dizendo, imorais) e nos costumes, e sendo o oposto da verdade a mentira e o demônio o genitor desta, logo, não é a Deus, a Suma Verdade, a quem o homem moderno tem dado lugar no trono, mas ao próprio demônio. Uns diriam, essa terminologia espiritual toda é exagerada e medieval, antiquada e negativa. Pois é tudo o que o homem moderno não quer escutar, e quando não quer escutar atribui toda espécie de adjetivos em defesa própria. O homem tornou-se defensor de si mesmo e caiu na soberba extrema. Fez-se o contrário da humildade própria do húmus de sua natureza, e fez-se indócil à verdade, com a qual se deve esforçar para subir a Deus por servidão e amor.

Com a disseminação do relativismo concomitantemente a crescente crise moral que emerge dessa falta de visão objetiva e universal da verdade, é inevitável levar ao tribunal da história o próprio Deus pelas mãos de seres humanos afogados em ignorância, e outros ainda em extrema maldade. Quando o oposto da verdade é instaurado como legítimo, a verdade torna-se ilegítima, e sendo Deus a fonte e origem de toda verdade, Deus torna-se o réu primário. E que tribunal é esse instaurado para o Deus da Verdade? Acaso, pensamos ser capazes de qualquer juízo diante dele? Ainda que o coloquemos aqui na terra no banco dos réus, de lá Ele nos julgará e seus juízos nos constrangerão. O que não sabem os juízes daqui é que Deus jamais será reú, não é próprio de sua glória e natureza, isso existe somente em suas imaginações. Deus é juiz, e o processo está instaurado. Embora nossa sentença ainda possa ser mudada. Portanto, enquanto isso, combatamos os inimigos de Deus com a Verdade.

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