Liturgia Diária Comentada – 22 de setembro de 2011

Verde. 5ª-feira da 25ª Semana Tempo Comum

1ª Leitura – Ag 1,1-8

Edificai a casa e ela me será aceitável.

Início da Profecia de Ageu 1,1-8

1 No segundo ano do reinado de Dario,
no sexto mês, no primeiro dia,
foi dirigida a palavra do Senhor, mediante o profeta Ageu,
a Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá,
e a Josué, filho de Josedec, sumo sacerdote:
2′ Isto diz o Senhor dos exércitos:
Este povo diz:
Ainda não chegou o momento de edificar a casa do Senhor’.
3 A palavra do Senhor foi assim dirigida,
por intermédio do profeta Ageu:
4′ Acaso para vós é tempo
de morardes em casas revestidas de lambris,
enquanto esta casa está em ruínas?
5 Isto diz, agora, o Senhor dos exércitos:
Considerai, com todo o coração,
a conjuntura que estais passando:
6 tendes semeado muito, e colhido pouco;
tendes-vos alimentado,
e não vos sentis satisfeitos,
bebeis e não vos embriagais;
estais vestidos, e não vos aqueceis;
quem trabalha por salário,
guarda-o em saco roto.
7 Isto diz o Senhor dos exércitos:
Considerai, com todo o coração,
a difícil conjuntura que estais passando:
8 mas subi ao monte,
trazei madeira e edificai a casa;
ela me será aceitável,
nela me glorificarei, diz o Senhor.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 149, 1-2. 3-4. 5-6a.9b (R. 4a)

R. O Senhor ama seu povo de verdade.

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia
1 Cantai ao Senhor Deus um canto novo, *
e o seu louvor na assembléia dos fiéis!
2 Alegre-se Israel em Quem o fez, *
e Sião se rejubile no seu Rei! R.

3 Com danças glorifiquem o seu nome, *
toquem harpa e tambor em sua honra!
4 Porque, de fato, o Senhor ama seu povo *
e coroa com vitória os seus humildes.R.

5 Exultem os fiéis por sua glória, *
e cantando se levantem de seus leitos;
6a com louvores do Senhor em sua boca *
9b eis a glória para todos os seus santos.R.

Evangelho – Lc 9,7-9

Eu mandei degolar João.
Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 9,7-9

Naquele tempo:
7 O tetrarca Herodes ouviu falar
de tudo o que estava acontecendo,
e ficou perplexo, porque alguns diziam
que João Batista tinha ressuscitado dos mortos.
8 Outros diziam que Elias tinha aparecido;
outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado.
9 Então Herodes disse: ‘Eu mandei degolar João.
Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?’
E procurava ver Jesus.
Palavra da Salvação.

Comentário

O povo de Israel temia os profetas. Temia não a pessoa mesma do profeta, pois não representavam uma real ameaça contra a integridade do povo ou contra a ordem social e política. Israel temia os profetas porque se esquivava da verdade, pois sabia que ela implicava em exigências concretas de conversão do coração a Deus, do abandono da vida mesquinha e medíocre que levavam. Melhor para os pecadores orgulhosos o silêncio dos profetas, João degolado, a verdade escondida do que o grito profético da conversão denunciar os seus pecados fazendo recair sobre a sua consciência o peso da culpa, e assim aparecer a verdade de sua infidelidade a Deus: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” (Lucas 13, 34).

O tetrarca Herodes, bem como toda sua família, de origem judia, haviam se corrompido pelo poder e pelos costumes pagãos. A fé do povo de Israel não era mais o seu paradigma de vida.

O reino de Israel dividido e dominado pelo Império Romano, a corrupção e o adultério que maculavam o palácio dos tetrarcas e a casa de Herodes, as contradições da vida religiosa do povo e dos sacerdotes, os desvios da fé originária do povo de Iahweh constituam um ambiente hostil ao espírito profético de João.

Mas chegara a hora, e o infiel Israel que mata os profetas faz urgir o “julgamento das nações” . Que julgamento é esse? A iminência do Reino de Deus, reino que por sua luz radiosa revela os segredos do coração humano que estavam nas trevas. A mensagem do Reino contrapõe a maldade do coração humano, a atitude hostil aos profetas e a falsa prática da vida religiosa que se instalou em Israel, e o Deus que ama tanto seu povo como um filho predileto agora o chama a misericórdia e a conversão. Mas, neste julgamento das nações, quem julga? O mesmo que anuncia a mensagem do Reino, o Messias, Jesus Cristo, o mesmo que fora confundido por ter um espírito profético tão forte, e plenamente mais forte, que o de João Batista. João era apenas o candeeiro, enquanto Cristo o sol da justiça que viera fazer as trevas se dissiparem pelo anúncio do Reino, por sua Paixão e Ressurreição.

Mas a Jesus Cristo quem o poderá calar, se para falar da verdade ou da divindade, ou do divino amor bastava aquele silêncio amoroso do Gólgota. Se mais do que por palavras, falava ele pelo mistério de sua pessoa: “Nenhum sinal lhe será dado senão o de Jonas” (Mt 6, 4).

Sempre foi assim: o silêncio dos profetas injustiçados, perseguidos de todos os lados, mortos como João, como os mártires, fez-se mais eloquente que suas palavras.

Hoje não vemos uma situação diferente da de Israel, pois vemos reinar na sociedade e na cultura o desinteresse pela verdade e às vezes até mesmo o ódio por ela. Um mundo marcado por pluralidade e diversidade, e tudo que lhe carece é a verdade.

Quando se deixa a verdade, se recorre às ideologias vazias e passionais, marcadas por sentimentalismos ridículos e infantis. E escravo dos extremos ideológicos o homem se desencontra e se dispersa, e torna-se facilmente manipulável a partir delas. A verdade, ao contrário, “liberta”, porque ordena ao homem ao que ele é de fato e deve ser, deixando ele de ser servo de suas paixões para encontrar o sentido último de sua vida.

O homem hoje precisa reconciliar-se com a verdade, e para isso, é preciso abandonar o orgulho e trilhar o caminho da fé humilde. Ou deixamos de modo humilde a verdade esclarecer-nos e salvar-nos, ou não poderemos entrar na eterna felicidade, o Reino de Deus: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18, 3); e ainda, “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3, 5). Mas que significa nascer da água e do Espírito senão realizar o ato humilde da fé nas águas batismais, ato humilde que contraria o orgulho que é raiz de todo pecado enquanto indiferença ao plano salvífico de Deus.

Caros irmãos, antes ouçamos a verdade e sejamos livres, do que ficar como cachorros correndo atrás do rabo felizes com a nossa vida medíocre sem Deus. Não vale a pena pôr tudo em risco, correr o perigo de perder a felicidade eterna. Antes melhor inclinar o ouvido ao coração do Verbo Encarnado, ouvir sua dulcíssima verdade, conhecer seu amor e nele ser salvo, liberto para sempre das garras do mal e de Satanás, o adversário de Deus que quer nos arrastar ao Inferno nos opondo a Deus, fechando nossos ouvidos e coração, nos tentando de todos os lados. Portanto, não façamos como o infiel povo de Israel que mata os profetas para sossegar da verdade, mas deixemo-nos amar e amemos o Deus que anseia estabelecer Aliança definitiva conosco por essa verdade salvífica. Ele nos ama, e nos quer bem, escutemos o que Ele diz!

Antonio Augusto da Silva Bezerra.

Rio de Janeiro, 22 de setembro de 2011.

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