Vermelho. 3ª-feira da 25ª Semana Tempo Comum

Ss. André Kim Taegon Presb, Paulo Chong Hasang e Comps. Mts. memória

 

1ª Leitura – Esd 6,7-8.12b.14-20

Puderam terminar a construção da casa
de Deus e celebraram a Páscoa.

Leitura do Livro de Esdras 6,7-8.12b.14-20

Naqueles dias:
7 O rei Dario escreveu ao governador
do território da outra margem do rio Eufrates:
‘Deixa que prossigam os trabalhos no templo de Deus.
Que o governador de Judá e os anciãos dos judeus
edifiquem a casa de Deus no seu lugar.
8 Também ordenei como se deve proceder
com aqueles anciãos dos judeus
que constroem aquela casa de Deus:
com os bens do rei,
deveis reembolsar religiosamente e sem interrupção
aqueles homens por tudo o que gastarem.
12b Eu, Dario, dei esta ordem.
Que ela seja pontualmente executada!’
14 E os anciãos dos judeus
continuaram a construir, com êxito,
de acordo com a profecia de Ageu, o profeta,
e de Zacarias, filho de Ado,
e puderam terminar a construção
conforme a ordem do Deus de Israel e as ordens de Ciro,
de Dario e de Artaxerxes, reis da Pérsia.
15 Esta casa de Deus foi concluída
no terceiro dia do mês de Adar,
no sexto ano do reinado de Dario.
16 Os filhos de Israel, os sacerdotes,
os levitas e o resto dos repatriados,
celebraram com alegria a dedicação desta casa de Deus.
17 Ofereceram, para a inauguração desta casa de Deus,
cem touros, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros
e, como sacrifício pelo pecado de todo o Israel,
doze bodes, segundo o número das tribos de Israel.
18 Estabeleceram também os sacerdotes,
segundo suas categorias,
e os levitas, segundo suas classes,
para o serviço de Deus, em Jerusalém,
como está escrito no livro de Moisés.
19 Os deportados celebraram a Páscoa
no dia catorze do primeiro mês.
20 Como todos os levitas se haviam purificado,
juntamente com os sacerdotes, estavam puros;
e, assim, imolaram a Páscoa
para todos os filhos do cativeiro,
para os sacerdotes seus irmãos e para eles próprios.
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 121 (122), 1-2. 3-4a. 4b-5 (R. Cf. 1)

R. Que alegria, quando me disseram: Vamos à casa Senhor!
1 Que alegria, quando ouvi que me disseram:*
‘Vamos à casa do Senhor!’
2 E agora nossos pés já se detêm,*
Jerusalém, em tuas portas. R.

3 Jerusalém,cidade bem edificada *
num conjunto harmonioso;
4a para lá sobem as tribos de Israel,*
as tribos do Senhor. R.

4b Para louvar, segundo a lei de Israel,*
o nome do Senhor.
5 A sede da justiça lá está *
e o trono de Davi. R.

Evangelho – Lc 8,19-21

Minha mãe e meus irmãos são aqueles
que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 8,19-21

Naquele tempo:
19 A mãe e os irmãos de Jesus aproximaram-se,
mas não podiam chegar perto dele, por causa da multidão.
20 Então anunciaram a Jesus:
‘Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem te ver.’
21 Jesus respondeu:
‘Minha mãe e meus irmãos são aqueles
que ouvem a Palavra de Deus, e a põem em prática.’
Palavra da Salvação.

Comentário

A ágape é sem dúvida uma grande novidade do cristianismo que testemunha o Evangelho, como nele afirma o próprio Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, como a si mesmo, nisto consiste as leis e os profetas”. E em Cristo, por sua entrega de amor e o esvaziamento de sua divindade humilhando-se pelo padecimento da dor e dos sofrimentos da vida humana até a morte de cruz, esse amor a nós é explicado sem palavra alguma no silêncio do Gólgota: “Como ovelha ao matadouro”. Amor inquestionável que esvazia-se da glória de sua divindade para entregar-se em sacrifício pelos homens, deixando-se ser por eles condenado, flagelado e morto para a salvação dos próprios algozes, os pecadores.

O modo de amar abnegadamente constitui o espírito cristão da ágape, abnegação que consiste no amor desinteressado em função do bem de outro, na saída de si mesmo, superando o egoísmo, e até se dispondo as possibilidades de perigos e padecimento de sofrimentos em função desse amor que se tem por outro. Quem é esse outro? Quem é o nosso próximo? É todo homem. Logo, esse amor é universal, católico. “Não há maior amor do que aquele que dá vida pelos amigos”. Quem são os nossos amigos? Todo homem criado a imagem e semelhança de Deus tal como eu e tu. E o Outro? Quem!? O Todo Outro? É o excelso Deus, e amá-lo sobre todas as coisas é ouvir o que dita o Seu divino coração: “ama teu próximo como a ti mesmo”.

Esse amor abnegado gera uma verdadeira familiaridade entre os homens, a qual se torna a imagem humana do amor divino, do Deus Uno e Trino, o qual é a pessoa do Pai e do Filho e do Espírito Santo que estão unidos por um mistério de Amor sublime e incompreensível na sua totalidade pela inteligência humana.

Onde está esse amor abnegado entre os homens, a ágape, está a família de Deus, a Igreja. E confessar amor a Deus, é exigir-se a pôr-se nessa família e amar de um modo mais perfeito ao próximo. Amar a Deus é uma vocação divina do ser humano para amar ao próximo de modo integral.

Jesus no Evangelho, não está rechaçando nem desprezando sua mãe, mas aproveitou aquela ocasião para dar a conhecer aqueles homens que eles pela fé na palavra de Deus e pela sua prática tornavam-se inclusos na Divina Família, da qual Maria nunca deixou de participar por sua condição única e por seu sim generoso a Deus. Da fé nasce essa divina família entre os homens, a Igreja. Sua mãe (talvez, seus irmãos, que quer dizer, primos) não precisavam ser confirmados nessa verdade da familiaridade divina, mas sim aquela comunidade dos iniciados na fé.

Provavelmente, quando o evangelista escreveu esses versículos à comunidade primitiva cristã queria dar ênfase justamente a esse aspecto que talvez carecesse de algum modo na vida comunitária, de entenderem que eram eles a família de Deus, e que para pertencer-lhe não se depende da pertença a um povo, a uma família humana, mas simplesmente da fé em Jesus Cristo. Logo, judeu, grego, romano, qualquer homem que crê na sua Palavra e se converter passa a pertencer a sua família.

Devemos entender essa passagem do Evangelho na sua estrutura pedagógica, pela qual o evangelista escreve em consideração a realidade de uma comunidade cristã específica de seu tempo. E ainda considerar a pedagogia do próprio Jesus Cristo, que fala em parábolas, que converge as coisas reais e presentes de uma forma alegórica ou por anedota para favorecer uma compreensão do mistério de Deus que é indizível – daí usar de imagens, parábolas, para que os simples entendam. Aquela foi uma ocasião oportuna para Nosso Senhor falar de coisas de família, que Ele também, sendo Deus, quis aprender com uma família humana, aquela que mais tarde confessamos pela tradição cristã como sagrada.

Só se chega a esse divino amor pela conversão do coração que se dá na escuta da palavra da fé. A ágape no seu sentido pleno só pode ser vivido se se crê. Os nossos mártires da fé que hoje celebramos morreram por causa desse divino amor que encontraram e converteu o coração deles ao querer de Deus – da fé a um amor verdadeiramente abnegado, despretensioso e humilde.

É por esse amor divino que cantamos com o salmista: “Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor’!”, Esta casa que é a nossa casa, onde se reúne a nossa família, a Igreja.

Acorramos a Deus irmãos trabalhando pela unidade fidelíssima da nossa família, e mesmo que toda família humana tenha sua fragilidades e angústias, a certeza do amor divino que nos une nos gera otimismo para continuar acreditando na nossa família humana santificada pela fé e que se congrega na Igreja de Cristo.

Antonio Augusto da Silva Bezerra.

Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2011.

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