A Igreja proíbe os fiéis serem adeptos do marxismo e do comunismo!

ac781b460c2883fa0ce7f5bb417bbae4Desde os meados do século XIX se desenvolveu dentro da reflexão teológica uma grande preocupação com o progresso social e humano mediante as grandes mudanças dos dois últimos séculos, que se emancipou desde a avassaladora Revolução Industrial. A esse tipo de reflexão teológica foi dado o nome de Doutrina Social da Igreja, hoje uma disciplina indispensável na formação cristã, especialmente nas faculdades de teologia e nos seminários.

Diante das inovações do mundo industrializado, dos dilemas e questões trabalhistas, a Igreja passou a reforçar de um modo mais sistemático e expositivo a luta pela preservação da dignidade humana e promoção do bem-estar social através da formação da consciência de seus fiéis, convidando-os, sobretudo, os leigos, que estão no meio do século, a se engajarem na defesa dos valores humanos e evangélicos na fiel promoção da justiça social e da paz. E sobre essa vocação dos leigos diz o Catecismo da Igreja nos números:

A vocação própria dos leigos consiste precisamente em procurar o Reino de Deus ocupando-se das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus […]. Pertence-lhes, de modo particular, iluminar e orientar todas as realidades temporais a que estão estreitamente ligados, de tal modo que elas sejam realizadas e prosperem constantemente segundo Cristo, para glória do Criador e Redentor». (§ 888)

A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar, com as exigências da doutrina e da vida cristã, as realidades sociais, políticas e económicas. Tal iniciativa é um elemento normal da vida da Igreja: «Os fiéis leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja: por eles, a Igreja é o princípio vital da sociedade. Por isso, eles, sobretudo, devem ter uma consciência cada vez mais clara, não somente de que pertencem à Igreja, mas de que são Igreja, isto é, comunidade dos fiéis na terra sob a direcção do chefe comum, o Papa, e dos bispos em comunhão com ele. Eles são Igreja». (§ 889)

Longe de ser algo alheio a nossa experiência religiosa, a promoção da justiça social e da paz é na verdade o fruto de uma tomada de consciência das mais ricas dimensões da vida evangélica, apurando assim o próprio senso da fé, fazendo que tal experiência seja refletida de um modo mais universal (para além do aspecto salvífico individual) na defesa do bem comum no qual consiste o bem-estar social. Assim diz o Catecismo:

Em conformidade com a natureza social do homem, o bem de cada um está necessariamente relacionado com o bem comum. E este não pode definir-se senão em referência à pessoa humana: «Não vivais isolados, fechados em vós mesmos, como se já estivésseis justificados; mas reuni-vos para procurar em conjunto o que é de interesse comum» (§ 1905)

Por bem comum deve entender-se «o conjunto das condições sociais que permitem, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir a sua perfeição, do modo mais completo e adequado» (27). O bem comum interessa à vida de todos. Exige prudência da parte de cada um, sobretudo da parte de quem exerce a autoridade. E inclui três elementos essenciais: o respeito a pessoa como tal, o bem-estar social e o desenvolvimento da sociedade e a promoção da paz. (§ 1906)

Nenhum fiel cristão está isento de exercer o seu papel neste esforço a que se propõe a Igreja de Jesus Cristo. Há muitos modos de tornar as advertências e diretrizes da Doutrina Social da Igreja uma prática concreta: o voto consciente, a formação do pensamento crítico diante dos problemas sociais, culturais e políticos, a luta contra a corrupção, a defesa dos grupos excluídos da sociedade, que tem os seus direitos violados, a defesa dos direitos humanos em geral, a defesa da moralidade pública, a realização de atividades sociais de qualquer natureza que concorde com os valores evangélicos, entre outros.

A sociedade garante a justiça social, quando realiza as condições que permitem às associações e aos indivíduos obterem o que lhes é devido, segundo a sua natureza e vocação. A justiça social está ligada ao bem comum e ao exercício da autoridade (Catecismo, § 1928).

A Pastoral da Criança, das Favelas, Carcerária, da Consolação e Esperança, dos Enfermos e ainda o trabalho de grupos e comunidades religiosas com pessoas envolvidas com a prostituição são grandes exemplos da atividade social que a Igreja realiza de um modo eficaz e com positivos resultados. A Doutrina Social da Igreja não é só uma teoria, uma reflexão sistemática, é uma prática evangélica a qual todo fiel é chamado a participar de alguma forma.

A base fundamental da DSI (Doutrina Social da Igreja) é o Evangelho de Jesus Cristo, e não um sistema social e político ou mesmo uma filosofia e doutrina humana. Isso quer dizer que os esforços da DSI é também o de incorporar os valores evangélicos a vida social do homem de tal modo que a sua experiência humana no seio da sociedade seja ainda mais plena pela luz da fé que irradia e dá plenitude aos valores intrinsicamente humanos, tais como a própria a vida social, a justiça e o bem comum. Pois pela luz da fé nos tornamos não só homens ligados por uma circunscrição de aspecto social, mas homens irmanados pela filiação divina através do mistério de Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus Pai.

O Deus que nos criou designou à natureza do homem a convivência fraterna e o zelo pela justiça, pelo bem comum, pelo bem-estar social, pela ordem e pela paz. Este mesmo Deus quer que cheguemos a experiência mais plena dessa convivência fraterna em torno do mistério de Jesus Cristo onde a justiça, o bem comum, a paz se justificam pela Verdade e Bondade que ele mesmo é por sua divindade. E no Filho nos tornamos filhos de Seu Pai, e irmãos.

A pessoa humana tem necessidade da vida social. Esta não constitui para ela algo de acessório, mas uma exigência da sua natureza. Graças ao contacto com os demais, ao serviço mútuo e ao diálogo com os seus irmãos, o homem desenvolve as suas capacidades, e assim responde à sua vocação.

A ceia ágape e a Fração do Pão (Eucaristia) vividos pela comunidade cristão desde os tempos primitivos traduzem a mais bela mensagem de fraternidade, justiça social, convivência fraterna, paz e de zelo pelo bem comum: “Eles tinham tudo em comum” (At 2, 44).

A Incompatibilidade de Sistemas Sócio-Políticos com a DSI

A DSI condena objetivamente todo tipo de cerceamento da liberdade humana, todo sistema que oprime, promove a anarquia, divide, fomenta a luta de classes e os conflitos sociais, a desordem, a apostasia e ataques a liberdade religiosa.

O exercício da liberdade não implica o direito de tudo dizer e fazer. É falso pretender que «o homem, sujeito da liberdade, se basta a si mesmo, tendo por fim a satisfação do seu interesse próprio no gozo dos bens terrenos» (36). Por outro lado, as con0dições de ordem económica e social, política e cultural, requeridas para um justo exercício da liberdade, são com demasiada frequência desprezadas e violadas. Estas situações de cegueira e de injustiça abalam a vida moral e induzem tanto os fracos como os fortes na tentação de pecar contra a caridade. Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina. (Catecismo, § 1740)

E ainda:

O direito à liberdade religiosa não pode, de per si, ser ilimitado (36) nem limitado somente por uma «ordem pública» concebida de maneira positivista ou naturalista (37). Os «justos limites» que lhe são próprios devem ser determinados para cada situação social pela prudência política, segundo as exigências do bem comum, e ratificadas pela autoridade civil, segundo «regras jurídicas conformes à ordem moral objectiva». (Catecismo, § 2109)

Dadas as considerações até aqui, torna-se condenável pela DSI o totalitarismo, a anarquia e o marxismo, pela sua proposta materialista, pela incitação do ódio a religião, ao fomento da apostasia e pela promoção da luta de classes, desordenando a vida moral da sociedade e destruindo o sonho humano da paz. Além destes, são condenados também pela DSI quaisquer sistemas sociais e políticos, que neguem ao homem os direitos humanos básicos, a liberdade religiosa, a livre expressão e opinião, e o pensamento crítico.

A Esperança Cristã e a DSI

A esperança cristã se fundamenta no objeto da fé, na realidade salvífica que se alcança pelo mistério de Jesus Cristo. Por ela temos já a porta de entrada do Reino dos Céus, que não se pode reduzir a um sonho utópico qualquer de construir o paraíso sobre a terra, mas deve-se entender plenamente no sentido transcendente. É certo que essa perspectiva transcendente da esperança não se trata de uma imobilização do nosso papel social, da luta pela justiça social e pela paz, bem como pelo progresso humano. Porém não devemos por isso marginalizar a experiência da fé e nem fragmentá-la a uma espécie religiosa de materialismo.

A esperança deve nos levar a um otimismo humano sobre o progresso, mas não devemos pensar que

A doutrina sobre o pecado original – ligada à da redenção por Cristo – proporciona uma visão de lúcido discernimento sobre a situação do homem e da sua acção neste mundo. Pelo pecado dos primeiros pais, o Diabo adquiriu um certo domínio sobre o homem, embora este permanecesse livre. O pecado original traz consigo «a escravidão, sob o poder daquele que possuía o império da morte, isto é, do Diabo» (299). Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da acção social (300) e dos costumes. (Catecismo, § 407)

Esta dramática situação do mundo, que «está todo sob o poder do Maligno» (1 Jo 5, 19) (302), transforma a vida do homem num combate: «Um duro combate contra os poderes das trevas atravessa toda a história dos homens. Tendo começado nas origens, há-de durar – o Senhor no-lo disse – até ao último dia. Empenhado nesta batalha, o homem vê-se na necessidade de lutar sem descanso para aderir ao bem. Só através de grandes esforços é que, com a graça de Deus, consegue realizar a sua unidade interior» (303). (Catecismo, 409)

Assim, o pecado torna os homens cúmplices uns dos outros, faz reinar entre eles a concupiscência, a violência e a injustiça. Os pecados provocam situações sociais e instituições contrárias à Bondade divina; as «estruturas de pecado» são expressão e efeito dos pecados pessoais e induzem as suas vítimas a que, por sua vez, cometam o mal. Constituem, em sentido analógico, um «pecado social» (109). (Catecismo, § 1869).

Assim a esperança cristã sendo otimista diante do mundo e das coisas criadas compreendendo tudo no seu sentido salvífico, é ao mesmo tempo realista, e entende a condição humana do pecado e como ele corrompe o progresso humano e social nas suas mais diversas dimensões. A esperança cristã se distingue, nesse sentido, do materialismo, do marxismo, pela sua perspectiva humana, transcendente e realista, pois sabe que não pode haver progresso sem Deus, sem a religião e a moral, e que ainda sim todo progresso histórico do homem será sempre limitado. Distingue-se também ela do nihilismo, que considera a existência humana um vazio sem significado donde para o homem só lhe resta a morte, o drama e o fracasso, e vê tudo sob a ótica da eternidade sabendo que quando Cristo vier em sua glória dará plenitude a todas as coisas, e já aqui, na história, nossa felicidade nele encontra sua fonte e ápice, e o sofrimento e os anseios humanos são convergidos a um sentido salvífico pela sua vida e mistério. Distingue-se também do otimismo do humanismo ateu, que entende a existência humana fora do espectro da transcendência, e concebe que o homem pode progredir sem a religião e sem Deus.

A palavra «ateísmo» abrange fenómenos muito diversos. Uma forma frequente dele é o materialismo prático, que limita as suas necessidades e ambições ao espaço e ao tempo. O humanismo ateu julga falsamente que o homem «é para si mesmo o seu próprio fim, o único artífice e demiurgo da sua própria história» (54). Uma outra forma do ateísmo contemporâneo é a que espera a libertação do homem exclusivamente através duma libertação económica e social, à qual «a religião, por sua mesma natureza, se oporia, na medida em que, dando ao homem a esperança duma enganosa vida futura, o afasta da construção da cidade terrena» (55). (Catecismo, § 2124)

A esperança cristã faz progredir o homem? Sim, pois quando o homem ordena sua vida a Deus, ele colabora para que toda a criação encontre o seu sentido pleno e salvífico, fazendo da vida humana no tempo um reflexo da eternidade. Desse ordenamento a Deus, o homem progride pela caridade e o amor que transbordam da experiência da fé. A santidade de vida dos fiéis, nesse sentido, se torna para a vida social um grande progresso desde o proceder moral até as outras dimensões que lhes são inerentes.

Conclusão

A DSI tem o papel, como vimos, de exortar os fiéis cristãos a participação devida e justa da vida social, transmitindo por ela as ricas virtudes que emanam da sua espiritualidade cristã. Num mundo como o de hoje, torna-se cada vez mais difícil assim fazê-lo, mas certamente por esses frutos da nossa fé, “todos reconhecerão que somos d’Ele discípulos”, de que “o testemunho d’Ele é fiel” e de que n’Ele se realizam todas as aspirações e sonhos do ser humano, e portanto, só n’Ele deverá estar nossa esperança.

Como algo complementar a leitura desse artigo, recomendo o vídeo abaixo onde o Senador Demóstenes Torres faz um retrato da política e da eduacação no Brasil, e elabore a sua crítica pesssoal. Pense de um modo crítico a educação, o bem comum, o bem-estar social, o progresso humano e social baseados na ordem e na paz.

Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2011.

Antonio Augusto da Silva Bezerra.

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