"A vossa tristeza se transformará em alegria" (Jo 16, 20)

“A vossa tristeza se transformará em alegria. A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada […] Mas depois […] já não se lembra mais das dores, pela alegria de ter vindo um homem ao mundo”. Jesus compara no evangelho de hoje sua passagem pela morte à vida nova às dores fecundas do parto. A cruz e a morte cristãs aparecem, assim, transfiguradas pela luz da ressurreição que está à frente e que, já aqui, transforma a trsiteza em alegria.

Há dores que são estéreis, há dores que são fecundas. Há fecundidades que devem passar pela dor para se realizar em plenitude e há esterilidades que se exprimem e traduzem em forma de dor, a dor da ausência de sentido. O que torna a dor – física, psíquica e espiritual – de Jesus sobre a cruz diferente das dores do inferno é justamente o fato de ser fecunda, de desembocar na Vida. Se não desembocar na Vida, a morte e a dor são estéreis e mergulham na falta de sentido (“vanitas”) que caracteriza o inferno. A dor do Crucificado escancara-se para a Vida. A dor dos réprobos é fechada em si mesma, asfixiante, desesperadora. A primeira é efeito colateral do dom pleno de si num mundo contrário a Deus; a outra é expressão e consequência da rebeldia da criatura contra seu Criador.

Não podemos fugir à dor enquanto habitamos o “Vale de Lágrimas”. Somos exilados do Paraíso perdido. No entanto, podemos escolher entre a dor fecunda e vivificante de Cristo e a dor estéril e desesperada de satanás.

Se estivermos com Cristo e em Cristo, já agora poderemos pregustar, em meio às lutas, as alegrias eternas, em virtude de nossa atual comunhão com o Vencedor da morte. Ele nos sustenta em meio às tribulações, tendo-nos já transmitido o princípio da vida nova pelo Batismo e alimentando-o pela Eucaristia. E assim, desde já, experimentamos uma alegria que ninguém pode tirar, porque enraizada em Cristo ressuscitado, Primícias de nossa vitória.

Deste modo, ressoem com vigor em nossos corações as palavras do Ressuscitado a Paulo: “Não temas; fala, não te cales. Porque eu estou contigo”. Assim, caminhemos com coragem rumo àquele dia em que não Lhe perguntaremos mais nada, porque, face a face, Ele será a resposta…

Rio de Janeiro, 03 de junho de 2011.

Pe. Sérgio Cavalcante Muniz.

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