Dilma contra a divulgação da prática homossexual na rede pública? Como?

Ora, ora, ora, a Dilma agora se converteu aos bons costumes e a moral de nossos pais ao proibir expressamente a distribuição da cartilha gay do MEC, ou o que? Digo para vocês que seria uma alegria enorme para mim acreditar nisso, e não será hoje terei essa alegria.

Seguindo o mesmo espírito crítico da sociedade brasileira e dos nossos amigos do Humnitatis, Deus lo Voult, e Julio Severo, creio que as palavras da excelentíssima presidente não passam de cortina de fumaça para ocultar problemas muito mais sérios que envolvem grandes personagens do seu governo como Palocci.

Bem sabemos que a frente parlamentar evangélica junto às bancadas cristã e da família fizeram incansáveis esforços por dirimir o problema moral envolvido na questão da divulgação do kit anti-homofóbico. Ontem, vendo o Jornal Nacional, a Dilma falou que “não podemos ferir a consciência das pessoas, é preciso respeitar a opinião de cada um, agora a decisão não tem nada haver com o problema da W Torre, empresa responsável pela consultoria do ministro Palocci”.

Em primeiro lugar, ela fala de de “não ferir a consciência das pessoas”: Espera aí, está muito genérico! Que pessoas são essas? Estamos falando de pessoas indefesas, de crianças e adolescentes que iriam ser o público alvo da cartilha anti-homofóbica do MEC, que constituía na verdade em um propagação da cultura e prática homossexual. Não são quaisquer pessoas que compõem o seu público alvo, são pessoas em processo de formação acadêmica, moral, social, afetiva e sexual. E ainda, falando em não ferir a consciência das pessoas, entra-se em plena contradição, quando se coloca em vista o cúmplice silêncio da senhora Presidente em relação a resolução incostitucional do STF sobre a união estável homossexual, que feriu a consciência do cidadão brasileiro, violentou a democracia, a autoridade e autenticidade dos princípios da Constituição Brasileira.

Em segundo lugar, ela fala que não tem nada haver com o problema da consultoria de Palocci – Curioso, não? No mesmo dia em que ela proibiu a divulgação da dita cartilha do MEC, vazou a informação de que o governo foi pressionado pela bancada cristã, a qual teria ameaçado aumentar ainda mais os gritos por convocar o ministro Palocci à Casa Civil para se esclarecer sobre seu abrupto enriquecimento patrimonial no período de quatro anos, e também de abri CPIs para investigar os contratos que o MEC teria realizado com ONGs homocompanheiras.

E aí vem mais. Tivemos ontem a divulgação dos senadores envolvidos com a abertura do PLC 122/06. Sinal de que a bancada cristã está trabalhando com afinco na questão.

Logo, “Recuo Estratégico” é como devemos designar a postura do governo em relação a essa proibição. Isso significa que a coisa pode não ser definitiva, mas que teremos mais tempo. Por isso, a necessidade de continuarmos a trabalhar como formadores de opinião, aprimorarmos ainda mais a nossa crítica e conscientizarmos a nossa sociedade sobre o problema. Nosso trabalho continua, e estamos atentos a tudo que está acontecendo no Planalto Central de Brasília.

Antonio Augusto da Silva Bezerra.

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3 comentários sobre “Dilma contra a divulgação da prática homossexual na rede pública? Como?”

    1. Mal demais, e a culpa é do próprio povo, embora também seja ele enganado por boa retórica e falsas promessas. Por isso defendo que, para resolver o problema, é preciso melhorar a educação para termos cidadãos mais críticos, mas, ao invés do governo investir mais na educação, gasta milhões com campanhas anti-homofóbicas. Por que não investir na educação? Melhor não, pois teremos cidadãos mais críticos, e o governo não quer a sociedade repleta de formadores de opinião para ser criticado. Melhor é ter um povo de pouca opinião, sem senso crítico, submisso, é tudo que quer os nossos políticos. O brasileiro precisa acordar, senão amanhã acorda sem os seus direitos básicos enquanto cidadão.

    2. Em falar em desânimo, lembrei-me de uma frase muito conhecida de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

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