Liturgia Diária Comentada – 25 de maio de 2011

QUARTA-FEIRA DA V SEMANA DA PÁSCOA

Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 15, 1-16)

1Naqueles dias, chegaram alguns da Judeia e ensinavam aos irmãos de Antioquia, dizendo: “Vós não podereis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a Lei de Moisés”. 2Isto provocou muita confusão, e houve uma grande discussão de Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém, para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos.
3Depois de terem sido acompanhados pela comunidade, Paulo e Barnabé atravessaram a Fenícia e a Samaria. Contaram sobre a conversão dos pagãos, causando grande alegria entre todos os irmãos.
4Chegando a Jerusalém, foram recebidos pelos apóstolos e os anciãos, e narraram as maravilhas que Deus tinha realizado por meio deles. 5Alguns dos que tinham pertencido ao partido dos fariseus e que haviam abraçado a fé levantaram-se e disseram que era preciso circuncidar os pagãos e obrigá-los a observar a Lei de Moisés. 6Então, os apóstolos e os anciãos reuniram-se para tratar desse assunto.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.


Salmo Responsorial (Salmo 121)

Refrão: Que alegria, quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!
Que alegria, quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!

— Que alegria, quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas.
— Jerusalém, cidade bem edifi¬cada num conjunto harmonioso; para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor.
— Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi.

Evangelho de Jesus Cristo segundo João (Jo 15, 1-18)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1“Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim.
5Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

Comentário

Não tenham dúvidas de que quem está com a igreja, está com Cristo. A Igreja, como nos ensina a sagrada doutrina, é o Corpo Místico de Cristo. Ela é o barco que nos faz desbravar o mar revolto de nossas vidas, é também a bússola da prática autêntica da vida cristã. Dela, é Cristo o leme, o mastro, o porto seguro, e o Espírito Santo o divino sopro que dá rumo a nau de Cristo. O Espírito Santo é também a âncora e o ancorador que produz a comunhão dos santos que sustém a radical unidade entre Cristo, a Igreja e seus fiéis. Portanto, quem permanece não só na igreja, mas com a igreja, permanece com Cristo, e Ele em nós. E pelas palavras do Evangelho, Cristo nos confirma nesse mistério de comunhão: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (João 15, 4).

A Igreja não pode jamais tornar-se manifesta no isolamento, pois ela é mistério de comunhão, cujo aspecto é essencial a sua própria natureza. A Igreja dispõe-nos de três sagradas instituições que nos auxiliam no abandono do isolamento e na inserção da dimensão eclesial da fé: a Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério¹ (vide a nota explicativa para entender o que significam essas referidas instituições).

Além dessas sagradas instituições, temos a dimensão sacramental que introduz o fiel na santificação pelo mistério salvífico universal de Cristo. Seguindo os sinais sagrados que dispõe Cristo pela igreja, discernindo-os e assimilando-os na vida cristã, estaremos certamente seguros. Para acolher humildemente esses sinais, a fé é realidade indispensável. E se ainda não conseguimos compreender, entender e amar esses sinais, oremos a Deus para que aumente em nós o dom da fé.

Cristo quis instituir esses sinais para por eles se comunicar a nós pela ação de sua graça. E a autoridade desses sinais, que subsistem na vida da Igreja, reside na instituição do primeiro sacramento, a própria a Igreja por sua divina em Jesus Cristo: “Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra eu edifico a minha Igreja” (Lc 22, 31).

De fato, Cristo não quis instituir a sua Igreja sem lhe deixar o seu vigário para que pela luz do Espírito Santo zele e defenda o depósito da fé. Ninguém que tenha uma propriedade qualquer ou uma casa, e que zele, ame e queira a conservação do seu patrimônio, estando ausente fisicamente por certo tempo, jamais deixará ao relento o seu patrimônio, sem alguém que administre e tome providências para a sua segurança e conservação da sua integridade. Por isso, está para nós o Papa, sucessor de Pedro, vigário de Cristo, como servo dos servos de Deus para orientar-nos sempre a Cristo zelando sempre pelo depósito da fé.

Em verdade, estando com o Papa, sucessor de Pedro, estamos com a igreja, e por Ela com Cristo. Só o ato humilde da fé na ação do Espírito Santo nos ajuda a acolher esta realidade. Ouçamos a voz da Igreja, ouçamos a voz de Pedro como apelo de Cristo à unidade. Permaneçamos na unidade com Pedro e com a Igreja, e permaneceremos com Cristo, e Ele em nós.

Vemos na primeira leitura que os apóstolos entram em debate sobre a necessidade ou não da circuncisão dos cristãos de origem pagã. E eles vão a Jerusalém, acorrem a Pedro, e ali a resolução, ali a unidade. Ali se alegram juntos com o sucesso da missão apostólica de Paulo e Barnabé entre os gentios, que é confirmada pela autoridade de Pedro.

É para nos confirmar na fé e na unidade que o Papa exerce a autoridade do ministério petrino, e não, como pensam muitos por aí no meio secular, que o papado é um ofício para ditar caprichos pessoais ou opiniões particulares. O Papa não fala por si mesmo, mas é em nome de Cristo que ele fala, enquanto seu vigário, e pela Igreja, como seu representante legítimo: “Tudo que desligares na terra será desligado no Céu, e tudo que ligares na terra será ligado também nos céus” (Lc 24,49). Não demos lugares a fantasias pseudo-intelectuais querendo investigar o real significado daquilo que o Evangelho deixa objetivamente declarado quanto ao primado de Pedro na comunidade dos apóstolos e a origem dessa autoridade em Cristo.

Caríssimos, essa autoridade própria do ministério petrino nos faz crescer na prática da fé quando bem entendido por nós cristãos em toda a riqueza de seus aspectos. Quem tem fé na ação do Espírito Santo na vida da Igreja, crê no ministério petrino, crê no múnus da Igreja.

Na Eucaristia se sublima e se sacramenta de modo especial essa unidade da Igreja. É ela sacramento de unidade que nos converge a Cristo e “nos reúne num só corpo e num só espírito”, a nós, a toda a Igreja universal que oferece a Deus o sacrifício de amor do Corpo e Sangue de Cristo, como bem rezemos na sagrada liturgia nas palavras da oração eucarística.

Por isso, acorramos à Igreja unindo a nossa voz a do salmista proclamando, “que alegria quando ouvi que me disseram vamos à casa do Senhor, e agora nossos pés já se detém Jerusalém em tuas portas” (Salmo 144, 1-2); e, “Vinde e vede como é bom, como é suave, os irmãos viverem juntos bem unidos! É como um óleo perfumado na cabeça, que escorre e vai descendo até à barba;  vai descendo até à barba de Aarão, e vai chegando até à orla do seu manto” (Salmo 132, 1-2).

Irmãos, tendo meditado sobre a unidade nessa belíssima liturgia da palavra de hoje, roguemos a Santíssima Virgem, Mãe da unidade, para que como ela amemos o seu Filho, zelando por não ferir o seu Sagrado Coração com nossas divisões, mesquinhez e egoísmo, se indispondo de tal modo à unidade.

Rogai por nós Santa Mãe de Deus, Mãe da unidade, para que sejamos dignos das promessas de Cristo e amantes da comunhão fraterna.

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¹ Para se ter a fé da Igreja precisa se sustentar fielmente nessas três dimensões. Na Sagrada Escritura temos todo conteúdo da Divina Revelação que nos fora disposto como necessário a salvação humana, enquanto Verdade que nos esclarece o mistério divino. Na tradição temos a comunicação do depósito da fé confiado aos apótolos, comunicação que fora estendida aos séculos. Para assegurar a fidelidade da Igreja ao depósito da fé temos a sua autoridade constituída pelo Magistério, que é composto pelo Papa e os Bispos, como sucessores dos apóstolos. Essa instituição do Magistério fora conferida por Cristo quando confiou a Pedro as chaves da Igreja, e a ele e aos demais apóstolos a sua doutrina divina. Quem decide pela fé da Igreja, deve objetivamente decidir por essas três sagradas instituições. Quem não seguí-las está fora da Igreja.

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Rio de Janeiro, 25 de maio de 2011,

Antonio Augusto da Silva Bezerra.

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