Você já ouviu falar de Sakineh Ashtiani, iraniana condenada à morte por adultério, presa desde 2006. Essa figura foi envolvida pelo sensacionalismo da mídia ocidental. Mas, provavelmente, você não tenha ouvido falar de uma mulher chamada Asia Bibi, cristã que fora também condenada à morte no Paquistão, não por adultério, mas simplesmente por professar a sua fé de modo público.

Uma onda de perseguições religiosas e de confronto direto aos cristãos se expande de modo massivo em toda a região do Oriente Médio, acirrando ainda mais a difícil convivência mulçumano-cristã, que teve um período de estabilidade significativa, mas que entrou em degradação nas últimas décadas pelo aumento da presença de radicais islâmicos nos territórios de predominância mulçumana. Curioso é que na mídia se ouve pouquíssimo sobre o assunto, se é que alguma coisa realmente tem sido divulgada pela mass-media, que muitas vezes move-se mais pelos interesses do Estado e do mercado do que propriamente pelos problemas de ordem social e humana.

Asia Bibi, casada e mãe de várias filhas, tem 45 anos, professa a fé cristã-católica, e foi condenada à morte por “crime de blasfêmia”. Continuamente pressionada pelos habitantes do seu vilarejo a deixar o cristianismo e abraçar a fé mulçumana e tendo se fatigado da insistência, ela declarou veementemente num ato de sincera confissão religiosa: “Jesus está vivo, mas Maomé está morto. Nosso Cristo é o verdadeiro profeta de Deus!” O suficiente para que fosse levada ao tribunal e fosse sentenciada à morte. Asia Bibi está gravemente enferma e tem sofrido contínuos maus-tratos na prisão, precisando de cuidados médicos urgentes, mas nem o direito a essa assistência ela tem tido.

Em vigor desde 1986 no Paquistão a criminalização da blasfêmia já levou 33 pessoas a mesma sentença decretada. Mas muitas delas foram assassinadas antes mesmo que o processo terminasse, como ocorreu com os irmãos católicos Rashid e Sajid Emmanuel, brutalmente assassinados na saída do tribunal, em Julho de 2010. Asia Bibi é o caso mais recente no Paquistão.

“Eu não sou uma criminosa, não fiz nada de mal. Estou sendo julgada por ser cristã. Creio em Deus e em seu enorme amor. Se o juiz me condenou a morte por amar a Deus, estarei orgulhosa de sacrificar minha vida por Ele”, afirmou Asia Bibi ao seu advogado Shahzad Kamran. O juiz, tendo a sentenciado à pena máxima de enforcamento na Alta Corte, colocou como condição única para a revogação de sua pena e libertação, a conversão a fé muçulmana, ao que ela respondeu que, “preferiria morrer cristã a sair da prisão como muçulmana”.  Contudo, o presidente do Paquistão, Arli Zardari, concedeu a ela um salvo indulto, que não fora aceito ainda pela corte do tribunal com algação de que o caso ainda está pendente.

Em contraste ao fato de que se ouça tão pouco sobre o assunto no circuito midiático, com a pretensão de recolher ao menos cerca de 100 mil assinaturas a uma carta de petição de libertação em favor de Asia Bibi, foi lançada na internet uma iniciativa
popular, dirigida ao embaixador do Paquistão nos EUA e à Secretária de Estado norte-americana. Porém até o presente momento só foram recolhidas cerca de 17 mil assinaturas. Seria importante de nossa parte, como fiéis católicos, aderir a iniciativa e divulgá-la pelas redes sociais, blogs e por outros veículos de informação fornecidos pela internet, para que outros possam participar. Para participarem é só acessar clique aqui. Ainda temos outras duas iniciativas, uma dirigida a Susan E. Rice, representante dos EUA junto a ONU, da qual se pode participar acessando clicando aqui; e a outra dirigida ao povo e aos líderes do Paquistão, a qual vocês podem acessar pelo endereço clicando aqui. E não deixem de divulgar, é esforço minímo, além da oração a qual estamos obrigados pelo dever da própria consciência cristã, que se pode fazer enquanto cristãos-católicos na realização de sua missão de defensores da fé, da vida e da liberdade religiosa.

E existem por todo o mundo outras iniciativas em favor dela. Um movimento espanhol, chamado Hazte Oir, dedicado a participação política dos cidadãos, conseguiu recolher 600 mil assinaturas entregues na embaixada do Paquistão na Espanha
pedindo a libertação de Asia Bibi.

As Pontifícias Obras Missionárias no Paquistão, junto ao Bispo de Multan, Dom Andrew Francis, Presidente da Comissão para o Diálogo Inter-religioso da Conferência Episcopal do Paquistão, tomaram a iniciativa de criarem um dia de oração mundial por Asia Bibi, relegada ao esquecimento pela mídia ocidental. Foi escolhido o dia 20 de abril, quarta-feira santa, como um dia específico de oração universal por ela. E a Santa Sé ainda insiste que todos os cristãos orem continuamente por ela e por todos os outros cristãos perseguidos no Oriente Médio. Portanto, irmãos, continuemos a orar fielmente, por nós e por toda a Igreja universal, principalmente por esses irmãos perseguidos.

Grande abraço a todos.

Antonio Augusto da Silva Bezerra

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