“Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para poderes resistir às insídias do diabo. Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra carne, mas contra os Principados, contra as Potestades, contra os Dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais. Por isso deveis vestir a armadura de Deus, para poderes resistir no dia mau e sair firmes de todo o combate” (Efésios 6, 10-13).

Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder (v. 10)

Pobre do cristão que se basta, que considera que sua força está em si mesmo, construindo seus alicerces sem fixar os seus olhos nas coisas celestes, elas que são o protótipo perfeito de todo engenho da existência humana. Sur sum corda – corações ao alto! Em verdade, todo bom arquiteto, antes de começar a edificar, toma modelos, planilhas e cálculos matemáticos dos mais variados para que o que venha a construir esteja seguro da mínima possibilidade de degradação e perda. O cristão na arquitetura da santidade, do seu dever e missão deve tomar aquelas coisas do alto como modelo fundamental do seu proceder no meio do século, do mundo. Com o coração sempre no alto, a sua lógica não funcionará de uma maneira secamente mundanizada como já existe muito por aí entre os que se dizem sãos. E o cálculo mais acertado, sem dúvida alguma, para a arquitetura de teu edifício espiritual são aquelas verdades dulcíssimas que transbordam do coração amoroso de Deus. Assim a força de teu edifício espiritual estará inteiramente alicerçada em Deus, na força do seu poder. Mas, para isso, já, imediatamente, já, agora: sur sum corda!

Revesti-vos da armadura de Deus, para poderes resistir às insídias do diabo (v.11)

E tu pensas não ter inimigos? Que cristão você pensas ser? Ou pensas que o opositor de Deus, o diabo, que desafia o Seu plano
salvífico dirigido amorosamente aos homens, não te desafiará a entregar tudo, a despojar-te de tuas forças, de tuas armas? Não seja tu ingênuo, mas também não temas – de modo algum. Se o alicerce do teu edifício está na força do poder do Altíssimo, sua sombra virá em teu socorro, e à sombra de Suas asas descansarás para depois voltar a campo e lutar. Lutar contra quem? Contra o demônio e toda sua obra, ou não crê que realmente tenha um inimigo desse porte – e maior ainda é a tua fé, o que há de temer o fiel. E lembra-te, não há pior inimigo do que aquele no qual não é creditado como existente, não faças assim jamais, ou ele virá de espreita e te humilhará, mas se o teu socorro e salvação estão em Deus, se tua mão estiver na d’Ele, que ou quem poderá separar estas duas fortes mãos amigas? Estando com Deus, o demônio não te fará resistência, estando fora d’Ele, meu caro, és alvo fácil.

Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra carne, mas contra os Principados, contra as Potestades, contra os Dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais (v. 12)

Assim se faz a vida cristã: campo de batalha! E o mundo te espera, os inimigos a postos, corra e galga a vitória, corra e vá sem
titubear, corra levando o estandarte do Ressuscitado, vá e anuncia valente que ele vem, e dominará todas as coisas com Seu braço. E não pare, tu no pelotão de frente continue forte e vibrante bradando enquanto avança Cristo atrás de ti, o Terror dos demônios e Príncipe da Paz.

Lembro-me ainda hoje – muitos passaram pela mesma experiência –, ao tentar andar pela primeira vez numa bicicleta, meu pai
sustentando-a pela parte detrás do banco gritando, “vai, vai, estou lhe segurando, estou bem atrás de você, não se preocupe, você não vai cair”, e eu, “não, pai, eu vou cair, estou com medo, eu vou cair”, enquanto já pedalava sozinho, e lançando o olhar para trás, o grande medo, e a queda desnecessária, inevitável pela fraqueza da confiança e pelo medo extremo. Ele sabia que eu era capaz e fui capaz, embora tenha caído umas tantas vezes até firmar em mim mesmo a confiança de que podia. E tu, não vê Cristo gritar: “Vá, siga lutando, vá, estou atrás de ti, não perderás, vencerás porque Eu venci, o Leão da Tribo de Judá, não desfalecerás, eu estou contigo”, enquanto ele sabe das tuas possíveis quedas pela tua falta de confiança e pelo medo extremo, a fé ainda minguada.Mas, Ele sabe que és capaz, vá tu então na valentia de guerreiro e leva pela tua fé terror aos demônios, às trevas, que partam elas temendo da luz de Cristo que reflete em ti de modo veraz no anseio angustiado pela santidade. Então, que esperas? Vá!

Por isso deveis vestir a armadura de Deus, para poderes resistir no dia mau e sair firmes de todo o combate (v.13)

A oração – a tua armadura. E por ela Deus te adestra para o árduo combate que começa todas as manhãs. Ela te desperta todos os dias para lutar bravamente, não deixa que durmas, mas te põe de vigília. Quando te deitas e te levantas, no trabalho, na rua, em casa, entre os amigos, com a família, e em qualquer lugar onde estejas ela vai sempre à frente ditando os ensinamentos divinos que nos são tão necessários na santificação das coisas mais simples às mais complexas que possam constituir a nossa história de salvação pessoal. A oração dá o tom, e assume a maestria da sonora força da santidade diária – e que bela sinfonia a se escutar. E nela tu todo em Deus, e Deus transbordante em ti – e que veja e beba o mundo da tua taça que transborda e transbordem todos sem medida o que não podem conter em si mesmo, precioso amor divino.

Oração

Ó Deus, amigo meu, firma em mim pelo preciosíssimo dom da fé a força de teu poder que me fará que, amparado por teu infinito e inesgotável amor, vença todas as batalhas que estão por vir e que desafiam a minha união de amor contigo. Livra-me dos meus inimigos espirituais, e tudo que em mim se opõe a ti, dando-me como armadura contra as intempéries da vida cristã o gracioso alimento espiritual da oração. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Grande abraço a todos.

Antonio Augusto da Silva Bezerra.

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