Rede Brasil pretende retirar programas católicos e evangélico do ar

Estamos cada vez mais chegando a situações absurdas nesse país.  Católicos e cristãos se vêem frequentemente boicatados no exercício de sua consciência religiosa e de sua liberdade de expressar publicamente a fé. A Constituição Brasileira no art. 5º do parágrafo V ao VIII é muito clara a respeito da liberdade e do caráter público da confissão religiosa. Ela também adverte objetivamente sobre o dever do Estado de propiciar todos os meios possíveis para que todo cidadão tenha direito de exercer a sua confissão religiosa. Ora, o uso da mídia é um meio propício de oferecer o direito de culto aos fiéis que estão impossibilitados por qualquer motivo de ir aos lugares de culto. É dever do Estado, que embora seja laico, defender o uso de todos os meios, inclusive, os meios de comunicação social para que o cidadão tenha a possibilidade de exercer esse direito conferido pela Constituição Brasileira.

Qualquer dia desses acordaremos aos domingos e já não teremos mais na Rede Brasil a exibição dos programas “Santa Missa”, “Palavras da Vida”, exibidos desde 1989, e o programa “Reencontro”, programa evangélico exibido desde de 1972. Com que alegação haverá a suspensão dos programas da grade da emissora? A alegação da Empresa Brasil de Comunicação é de que é preciso uma programação religiosa mais plural, sob a égide da argumentação de que o Estado é laico. Porém é uma enorme contradição se querer uma programação religiosa plural, e ao mesmo tempo suspender programações religiosas. Como afirmou lucidamente para o jornal católico “O Testemunho de Fé” o diretor dos programas católicos, Padre Dionel do Amaral, “a decisão fere o direito à liberdade religiosa, e além disso, no que diz respeito à abertura para outras religiões, a proposta é válida, mas é necessário que haja critérios para que este passo seja dado sem que haja bloqueio ao trabalho que já é feito por católicos e evangélicos”. Aliás, conforme o acordo firmado entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, que é um tratado de caráter internacional, reconhecido pela Constituição Federal, que ajuda entender a Igreja Católica como de direito público, a instituição cristã desfruta de plena faculdade para que exerça a missão de levar a sua mensagem aos mais necessitados por todos os meios que se disponham e sejam propícios a sua veiculação. E não há forma mais eficaz de alcançar e de dar assistência espiritual de um modo mais abrangente aos seus fiéis impossibilitados por motivos diversos da participação nos lugares de culto do que os meios de comunicação social.

Vamos ser sinceros aqui, bem sabemos que para dar um aspecto sutil à suspensão da programação religiosa na Rede Brasil, se fala da necessidade de uma programação mais plural. Faça-me o favor, querem enganar a quem? Vão trocar a programação atual pelo quê? Por aquela propagandazinha de mensagens religiosas trunculentas com vários desvios e ambiguidades doutrinais, cheias de manipulações que passa uma vez e outra na televisão ao modelo do que já é feito na Rede Globo?

Segundo as informações que constam da parte da direção de programas católicos da Rede Brasil, a programação poderá sair do ar a partir de setembro. Até lá muitas águas ainda vão rolar, mas é bom que os cristãos em geral e os católicos percebam como  o Estado e a mídia estão intimidando cada vez mais a Igreja e querendo rechaçá-la de toda a esfera social com o argumento de que o Estado é laico. Sim, o Estado é laico, mas não é areligioso, quanto menos acatólico e acristão, e infelizmente está se comportando como tal, ferindo os princípios da Constituição Brasileira e dos acordos firmados oficialmente entre o Brasil e a Santa Sé. Sobre o problema da laicidade do Estado, faço questão de preparar uma postagem para falar especialmente do assunto.

Vamos aguardar, ficar atentos aos sinais de cada tempo, agir conforme aquilo que estiver ao nosso alcance e orar para que não sobrevaleça dentro da nossa sociedade uma perniciosa visão secularista que leva em pouca consideração a religião e que só agrava ainda mais os problemas sociais e humanos, pois a religião é instrumento imprescindível para a formação integral do homem.

Grande abraço a todos vocês.

Antonio Augusto da Silva Bezerra

Comentários

Comentários