Rio de Janeiro, 1 de abril de 2011 – O tempo da Quaresma, como momento de renovação da vida cristã através do itinerário batismal que o envolve, é um bom momento de salientar a importância da Iniciação Cristã em nossa caminhada eclesial.

A nossa Arquidiocese já assumiu como sua opção catequética esse itinerário para a iniciação à vida cristã dos jovens e adultos e, inclusive, já publicamos em segunda edição um diretório especial para esse trabalho, que queremos que seja sempre mais implementado.

O Bispo é o primeiro catequista em sua Igreja Particular em função do múnus episcopal de ensinar. Vamos nos deter até a Páscoa em trabalhar um pouco, como catequese quaresmal, em preparação para a Ressurreição do Cristo Redentor.

Na pedagogia catequética entendemos por Iniciação Cristã o processo prolongado no tempo, no qual a conversão evangélica se exercita para adequar sua vida ao estilo do Evangelho, em fidelidade à iniciativa divina. Hoje, uma catequese de Iniciação Cristã necessita aprofundar os gestos e os passos do caminho de Jesus. Ele viveu em obediência à vontade do Pai, em uma opção radical e absoluta, chamada Reino de Deus. Portanto, no processo catequético, é fundamental recuperar a centralidade do Jesus histórico, o Deus encarnado que se fez pobre e sofredor por amor a nós, e que se dedicou totalmente a construir o Reino de Deus.

A Iniciação Cristã tem no catecumenato um princípio de inspiração e um modelo ainda vigente, sobretudo por seu caráter processual e integrador. Ela procura levar as pessoas em um processo claro, que culmine em uma profunda adesão ao Senhor por meio da conversão, e, consequentemente, a ‘uma autêntica inserção na comunidade cristã. São muitos os cristãos que não são membros vivos da Igreja, nem são autênticos discípulos do Senhor. Por isso, é necessário optar mais decididamente pela criação de processos de iniciação para formar catequizandos conscientes de sua missão junto à Igreja.

Desde o Concílio Vaticano II, o Magistério tem nos convidado, reiteradas vezes, a retomar a inspiração catecumenal, adaptando este processo às diferentes idades, ambientes, realidades sócio-religiosas e culturais para responder aos desafios de uma nova catequese, na qual o catequizando seja o sujeito de sua fé.

Os diferentes processos adaptados devem ter em comum certas etapas do processo evangelizador que levam as pessoas a uma crescente adesão a Jesus na Igreja. Segundo o Diretório Nacional de Catequese nos números, 47-48, essas etapas da tradição catecumenal são: Testemunho, Querigma, Catequese, Vida Comunitária, Sacramentos e Missão, que costumam ser articuladas em etapas: etapa de ação missionária, etapa de ação catecumenal, etapa de ação pastoral e de presença no mundo.

Estas etapas não acontecem necessariamente de um modo linear, nem são circunscritas em um tempo preciso, mas se caracterizam melhor por serem dinâmicas, processuais e circulares. Como são muitos os batizados não convertidos, assim uma catequese missionária prévia é necessária. Pode-se dizer, também, que são etapas que devem se cumprir nessa ordem para que haja uma sequência no amadurecimento da fé que a Igreja promove a seus filhos.

Nas condições reais da Igreja, é fundamental uma renovação e atualização da catequese que incorpore dimensões essenciais, por tempo esquecidas. Os modelos atuais de catequizar são chamados, sobretudo, a assumir a Palavra de Deus lida em comunidade, como princípio fundante de toda a catequese. Essas dimensões essenciais são: a leitura contínua dos sinais de Deus na história; uma catequese de caráter missionário que leve o catequizando a fazer uma opção clara a favor do processo de iniciação para quem o necessite e dar atenção à catequese de adultos como modelo de toda catequese; o emprego de uma linguagem que nossa geração entenda; a prioridade do anúncio do querigma que convida à conversão; a celebração alegre da fé, unida ao testemunho; e a profética opção preferencial pelos pobres.

Tudo isso propiciará a renovação das pessoas e o renascimento de comunidades marcadas pela conversão como eixo central do itinerário cristão. Nas palavras da Conferência de Puebla, no número 1000, trata-se de desencadear um processo para formar homens e mulheres “comprometidos pessoalmente em Cristo, capazes de comungar e de participar no seio da Igreja e dedicados ao serviço salvífico do mundo”.

O Reino é, ao mesmo tempo, pessoal e social, histórico e escatológico, estrutural e espiritual. Estas dimensões precisam ser assumidas de forma plena para não empobrecer sua natureza evangélica. A Iniciação Cristã é a resposta para o hoje de nossa Igreja, fazendo com que a comunidade cristã seja verdadeiramente evangelizadora e que a catequese seja um espaço e âmbito de inculturação. Assim, o catequizando será iniciado na fé como discípulo missionário de um modo integral. Além disso, a Iniciação Cristã irá revigorar a vocação do catequizando e sua co-responsabilidade para com a Igreja-comunhão, bem como sua co-responsabilidade para com a Igreja-missão e também seu compromisso a serviço da pessoa e da sociedade.

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Fonte: Rádio Vaticano News

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